Um dos criadores do evento “Vamos Parar Portugal” — protesto organizado por um dos grupos dinamizadores do movimento dos “coletes amarelos” em Portugal — deixou o grupo após divergências com outros fundadores, segundo avançou o Diário de Notícias. Filipe Ferreira confirmou ao mesmo jornal que abandonou o evento do Facebook, do qual era um dos cinco mentores, depois de ter sido acusado de estar a ser pago para passar informações aos jornalistas.

O evento “Vamos Parar Portugal” conta com cerca de 1210 pessoas que dizem que vão estar presentes nos protestos por todo o país, cerca 1890 que indicaram que têm interesse e mais de 26 mil que foram convidadas mas não deram qualquer resposta. O grupo, que tem cerca de 13 mil membros, estará vocacionado para impulsionar o protesto desta sexta-feira a partir da zona oeste, mobilizando os participantes esta sexta-feira junto às portagens da A8.

Apesar da saída deste promotor, o grupo continua com os mesmos objetivos definidos.

Autoridades reforçam restrições a drones

Depois do ataque com drones no aeroporto de Gatwick, o movimento de “coletes amarelos” em Portugal terá apelado, através de um grupo de WhatsApp, para que os manifestantes colocassem a circular drones no Aeroporto de Lisboa para perturbar o tráfego aéreo. Na sequência deste apelo, a Força Aérea Portuguesa anunciou esta quinta-feira a criação de zonas de exclusão juntos dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, o que está previsto na lei:

A Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN) informa que nos termos da lei, por razões de segurança, foram criadas zonas de exclusão aérea nos Aeroportos de Lisboa (Humberto Delgado), do Porto (Francisco Sá Carneiro) e de Faro”, diz o comunicada Força Aérea.

Isto significa que num raio de 6 quilómetros (três milhas náuticas) em redor dos aeroportos não poderão existir drones entre as 06h00 e as 18h00 de 21 de dezembro de 2018. A Força Área adverte ainda que em caso de entrar um drone ou qualquer outra aeronave nessas zonas “o proprietário estará sujeito às sanções previstas na lei”

Questionado pela agência Lusa sobre se a decisão está relacionada com esta questão, o porta-voz da Autoridade Aeronáutica Nacional disse que se tratou de uma “questão preventiva”, reconhecendo que abrange drones ou qualquer aeronave.

As zonas de exclusão “foram criadas por questões de segurança e vão abranger os três aeroportos. É uma questão preventiva. Está coordenada com todas as autoridades e [serve] para informar as pessoas que operam esse tipo de meios [drones] de que é proibido e reforçar isto para garantir o funcionamento normal dos aeroportos”, afirmou o porta-voz da Autoridade Aeronáutica Nacional, tenente-coronel Manuel Costa.

A ANA-Aeroportos de Portugal informou também que estabeleceu contactos com várias autoridades para “assegurar um acompanhamento próximo para intervir em conformidade com a legislação em vigor”.

À agência Lusa, fonte oficial da ANA-Aeroportos de Portugal explicou que “perante as ameaças de utilização de drones no Aeroporto Humberto Delgado [Lisboa] que foram tornadas públicas, e face ao potencial impacte na segurança da atividade aeroportuária, e consequências para todos os passageiros” foram estabelecidos contactos com várias autoridades para “assegurar um acompanhamento próximo para intervir em conformidade com a legislação em vigor”.

A gestora de aeroportos em Portugal estabeleceu contactos com as “autoridades competentes”, ou seja, o regulador da aviação civil (ANAC), a gestora do espaço aéreo (NAV) e forças policiais (PSP), “no sentido de assegurar um acompanhamento próximo para intervir em conformidade com a legislação em vigor”.