Pinto da Costa cumpriu na passada sexta-feira 81 anos, naquele que foi também o 27.º aniversário que passou na liderança do Campeonato desde que é presidente do FC Porto (em 37 anos). Esse primeiro lugar no final de dezembro quase se tornou regra, um pouco à semelhança das próprias intervenções públicas do número 1 azul e branco, entre a ironia e o ataque aos seus rivais mais diretos. E a primeira entrevista deste ano de 2019, ao JN (conteúdo fechado), acabou por não ser exceção.

“Alguma prenda especial? Quero ter uma vida normal e que os meus inimigos me continuem a atacar e difamar, é sinal de que tenho saúde. Normalmente quando as pessoas estão doentes, às vezes até sem saberem, começa a dizer-se ‘Afinal ele é um bom tipo’. Espero que demore muitos anos até aqueles que me atacam venham dizer que afinal sou boa pessoa. É sinal de que tenho saúde e que vou poder continuar a cumprir a minha obrigação”, começou por referir em termos genéricos, antes de apontar mira ao Benfica, logo a arrancar com a recente goleada dos encarnados frente ao Sp. Braga.

“Surpreendido com esse resultado? Não fiquei muito, nos últimos anos a única vez que o Benfica perdeu com o Sp. Braga foi quando tinha o Sérgio Conceição no banco. Acusações sobre ataque a autocarro de adeptos? O que espero é que o Benfica não nos acuse de estarmos por trás da morte daquele adepto italiano às portas do estádio da Luz e daquele do Jamor com um very light. Se disserem que estamos por trás disso é que ficaria preocupado. Já sabemos que isto são manobras de diversão para desviar as atenções de outros assuntos. São fait divers que nem vale a pena comentar”, respondeu.

Pinto da Costa abordou ainda na entrevista ao JN a contratação de Fernando Andrade, avançado ex-Santa Clara que foi o primeiro reforço neste mercado de inverno, e as renovações de Herrera e Brahimi. “É um assunto que já foi falado 200 vezes, só os jogadores podem decidir se continuam ou não. Eles têm as propostas que nós podemos dar e também têm direito a optar por outros clubes, como aconteceu no ano passado com o Reyes e o Marcano”, destacou.

Herrera chegou ao Dragão em 2013, Brahimi no ano seguinte. Agora, ambos acabam contrato em junho (MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images)

“Consideramos que temos um plantel excelente e a prova está naquilo que esse mesmo plantel tem feito. Se for possível, vamos melhorando e retocando o grupo, conforme as pretensões do treinador. O Sérgio Conceição já me tinha manifestado a vontade de poder contratar este jogador no mercado de janeiro e aproveitei a recente ida aos Açores para o jogo com o Santa Clara para falar com o presidente. As coisas ficaram alinhavadas e depois do Natal falámos com o jogador [Fernando]. Ele esteve em Lisboa na quinta-feira passada e na sexta parece que teve outros contactos. Connosco teve uma atitude excelente e manteve a palavra. Se o Benfica também esteve interessado no jogador? Posso afirmar que ele esteve no estádio da Luz na passada sexta-feira, levado pelo senhor José Luís. O Fernando já nos tinha dado a palavra e nós tínhamos chegado a acordo com Santa Clara mas ele foi à Luz porque tinha prometido ir, o que mostra que é realmente um jogador de palavra”, explicou.