Acidente de comboio na Dinamarca faz pelo menos oito mortos e 16 feridos

O comboio dirigia-se para Copenhaga quando foi atingido por vários objetos que voaram de um comboio de mercadorias que circulava na direção oposta. A carga terá voado devido ao vento forte.

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Pelo menos oito pessoas morreram e 16 ficaram feridas na sequência de um acidente de comboio na ponte que liga as ilhas da Zelândia e Fyn, na Dinamarca, confirmaram as autoridades dinamarquesas esta quarta-feira. A ponte esteve encerrada depois do acidente, tendo já reaberto a circulação rodoviária em ambos os sentidos. Todas as vítimas mortais eram passageiros do comboio, sendo ainda desconhecido a gravidade dos ferimentos das 16 pessoas, que já foram todas encaminhadas para o hospital.

Segundo o jornal dinamarquês Berlingske, o comboio transportava 131 passageiros e três funcionários em direção a Copenhaga, a capital da Dinamarca quando, por volta das 8h locais (7h em Lisboa), foi atingido por vários objetos que voaram de um comboio de mercadorias que circulava na direção oposta e fazia o transporte de bebidas. A carga terá voado devido ao vento forte que se fez sentir. Também as condições meteorológicas adversas dificultaram o acesso dos serviços de emergência ao local, conhecido como Ponte do Grande Belt.

O Berlingske avançou também que, além das equipas de socorro, esteve uma equipa de investigação no local para apurar e confirmar as causas do acidente. Pouco tempo depois do acidente, as autoridades entraram em contacto com motoristas que se dirigiam para a ponte, pedindo-lhes que desviassem a sua rota, permitindo assim a passagem dos meios de socorro. A ponte já tinha sido encerrada à circulação de carros devido ao mau tempo provocado pela tempestade Alfrida.

Os passageiros que não ficaram feridos no acidente desta quarta-feira foram encaminhados para um centro de emergência montado no Centro Desportivo de Nyborg, onde se encontra uma equipa de psicólogos que lhes vai fornecer apoio. Heidi Langberg Zumbusch, um dos passageiros que estava no comboio, descreveu o momento do acidente ferroviário a uma rádio dinamarquesa, citado pela BBC. “Houve um grande estrondo e as janelas começaram a estalar em cima das nossas cabeças”, explicou, acrescentando: “Fomos parar ao chão e depois o comboio travou”. “Tivemos sorte. As pessoas que estavam na carruagem da frente não tiveram tanta sorte“, acrescentou a mesma testemunha.

Já outro passageiro, Jim Nelson, contou à CNN que “estava na segunda carruagem quando o acidente aconteceu”. “Havia um comboio de mercadorias que vinha de Zelândia, na direção oposta. Estava a abanar por causa dos ventos fortes”, acrescentou o dinamarquês que vive atualmente na Irlanda e estava a regressar das férias de Natal.

Um dos contentores voou do comboio para os carris, por causa do vento. O nosso condutor tentou parar o comboio ao puxar os travões. Mas o comboio continuou a andar mais um pouco e embateu no contentor. Vi faíscas a saírem dos carris, baixei-me e bati com a cabeça. Dez segundos depois, ouvi um estrondo repentino. E o comboio parou. Havia muita confusão e escuridão total. Os passageiros da primeira carruagem foram os mais atingidos, acredito que estariam lá a maior parte das vítimas mortais”, descreveu Jim Nelson.

O primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, já reagiu ao acidente no Twitter: “Um terrível acidente de comboio na Ponte do Grande Belt, como resultado da tempestade Alfrida. Os nossos pensamentos estão com os feridos e com as suas famílias e parentes das vítimas mortais”, escreveu. Já o primeiro-ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen também comentou no Twitter o acidente: “Dinamarqueses comuns que estavam a caminho do trabalho ou de volta a casa depois das férias do Natal viram as suas vidas retiradas“, disse, acrescentando que o acidente, que foi o pior no país nos últimos 30 anos, chocou toda a gente.

Todos os dias circulam na Ponte do Grande Belt cerca de 27.000 veículos e 21.000 passageiros de comboios. Esta ponte, de 18 quilómetros, permite fazer a ligação da Dinamarca e a Suécia à Alemanha. A tempestade Alfrida, que está a afetar a Dinamarca e a Suécia, já levou a que as autoridades tenham lançado o alerta de tempo “muito perigoso” devido à subida do nível da água e queda de árvores face à precipitação intensa e vento forte.

(Artigo atualizado esta quinta-feira com o número de mortos)

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