O grupo Hyundai-Kia está a trabalhar num sistema para garantir que o carregamento de eléctricos não deixa de acontecer por uma má gestão do tempo. Acredita o gigante sul-coreano que a crescente adesão à mobilidade eléctrica vai pôr em evidência a necessidade de rentabilizar a ocupação dos pontos de carga, para que um veículo já com a bateria cheia não continue a ocupar um espaço de que não precisa, impedindo o acesso de outros. O problema fica resolvido se o carro for removido do local, mal termine o carregamento. Mas, mais interessante ainda, é que essa operação deverá realizar-se sem incomodar o proprietário do carro, nem os outros utilizadores de veículos eléctricos, o que implica que o veículo vai ter sair pelos seus próprios meios e estacionar sozinho num lugar vago. Isto soa-lhe a algo demasiado futurista? Saiba que o ‘problema’ não está (só) aí.

A ideia do grupo, conforme oficialmente comunicado, é disponibilizar tecnologias de condução autónoma de nível 2 e 3 em 2021. Isto é, veículos já altamente automatizados, capazes de circular sozinhos, mudar de faixa, acelerar ou travar em função da fluidez do trânsito, sem que o condutor tenha de intervir. Mas isso só em determinadas condições: essencialmente em auto-estrada e até um certo limite de velocidade. Em 2025, Kia e Hyundai querem dar o salto para o nível 4, aquele em que a automação já é tão sofisticada que o condutor só é chamado a assumir o volante em situações-limite, como uma meteorologia adversa, por exemplo. Ora, é também a partir desse ano que o gigante sul-coreano quer colocar no mercado o Automated Valet Parking System (AVPS), em combinação com um sistema de carregamento para veículos eléctricos sem fios, sendo que bastará ter à mão um smartphone para fazê-los funcionar articuladamente.

O vídeo de apresentação do projecto mostra que, ao seleccionar a função de “carga” numa aplicação, o veículo vá automaticamente para um ponto de carregamento wireless que esteja disponível. Uma vez carregado, o automóvel não continua na estação de carga mais do que um minuto. Sai e dirige-se sozinho para uma vaga de estacionamento, onde parqueia automaticamente. “Então, e depois como é que eu sei onde é que o carro está?”, perguntará o leitor. Aparentemente, não tem de saber. O carro é que tem de saber onde é que está o dono. Este, socorrendo-se de novo da aplicação, solicita ao veículo que venha ao seu encontro (e assim deve acontecer).

Segundo os sul-coreanos, o sistema é actualizado em tempo real, permitindo que todos os utilizadores vejam não só as vagas de estacionamento e as estações de recarga disponíveis, bem como tenham uma estimativa dos tempos de espera. E o ‘problema’ desta solução será mesmo este: o tempo à espera. Isto porque, por razões óbvias, este esquema só pode funcionar com uma tecnologia de carregamento sem fios. Sucede que esta solução pode ser muito mais ‘bonita’, mas é comprovadamente menos eficaz, estimando-se que desperdice 20 a 25% da energia, quando comparada com o carregamento com fios. Mas o mais grave é que as recargas por wireless não permitem as potências atingidas nas ligações por cabo durante as cargas rápidas, onde 50 kW é o mínimo e os 350 kW serão atingidos em breve. Significa isto que as operações de recarga vão demorar muito mais tempo do que se fossem processadas pelo ‘tradicional’ plug. A não ser que, também na tecnologia wireless, Hyundai e Kia se estejam a preparar para surpreender pela eficácia. Tal como conseguiram fazer, aliás, com a gestão da energia dos seus eléctricos, cujos consumos estão neste momento entre os mais baixos do mercado.