O rei da Malásia, o Sultão Muhammad V, abdicou, segundo um anúncio feito este domingo pelo palácio nacional do país. Este anúncio surge depois de uma semana de especulação no sobre a situação do monarca que tinha tirado uma licença do cargo há dois meses.

“Sua majestade comunicou oficialmente a sua decisão (de abandonar o cargo) às autoridades que governam a Malásia através de uma carta enviada ao secretariado da conferência de legisladores”, informou o palácio num comunicado citado pelo jornal South China Morning Post.

Não foi no entanto indicado o motivo para uma decisão tão drástica que deverá chocar os malaios, um povo pouco habituado às crises das monarquias modernas. Confrontado com perguntas sobre a situação do rei há poucas semanas, o primeiro-ministro Mahathir Mohamad afirmou que não tinha qualquer pista, não tendo também confirmado as notícias sobre o casamento do rei com uma jovem russa.

A Malásia, país no sudoeste asiático, é uma monarquia constitucional, mas o cargo de rei é rotativo. Muhammad V era considerado o rei dos reis depois de ter sido nomeado em 2016. O Agong, rei dos reis, é nomeado de cinco em cinco anos para o este cargo pela conferência de legisladores. O seu papel na política do país é comparável ao da Rainha de Inglaterra. A Malásia foi uma colónia britânica e ainda tem o inglês como língua oficial.

O monarca de 49 anos era o sultão do estado de Kelantan e tinha feito a sua formação académica na universidade de Oxford. Estava de licença desde novembro de 2018, oficialmente por razões médicas, mas em novembro vários artigos da imprensa internacional davam conta do seu casamento como uma conhecida beleza russa durante o tempo  em que estava de licença. Informação que nunca foi confirmada.

O casamento com Oksana Veovodina, uma russa de 25 anos que foi Miss Moscovo em 2015, foi noticiado em vários órgãos internacionais que deram ênfase ao facto de a noiva ter-se convertido ao islamismo. Malásia é um país maioritariamente muçulmano O matrimónio está a ser apontado como o motivo para a renúncia do cargo, a dois anos do final do mandato.

De acordo com o sistema de rotatividade que decide quem vai ser o próximo Agong, o sucessor será o governador do estado de Pahang, ainda que a decisão final pertença à conferência de legisladores. Os analistas consideram que esta abdicação não terá efeitos na estabilidade política da Malásia.