O ex-diretor de campanha de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas de 2016 partilhou informações privilegiadas da equipa então candidato republicano com um dos seus funcionários, que o FBI acredita ter ligações aos serviços de informações da Rússia.

A informação foi divulgada pelo Washington Post, que escreve que Paul Manafort, o segundo de três diretores de campanha de Donald Trump, enviou para Konstantin Kilimnik dados de uma sondagem privada feita pela equipa do candidato republicano.

Esta pode ter sido uma forma de transmissão de informação da campanha de Donald Trump para indivíduos ligados ao Kremlin — um cenário que está a ser investigado pelo procurador especial do FBI, Robert Mueller.

Esta revelação surgiu depois de Paul Manafort ter sido acusado de não estar a colaborar com as autoridades na investigação do alegado conluio entre Donald Trump e o Kremlin. Paul Manafort foi condenado por oito crimes em agosto — entre os quais se incluem evasão fiscal, fraude bancária e ocultação de conta bancária no estrangeiro — e como forma de reduzir a sua sentença (que deverá ser lida em março deste ano) aceitou cooperar com a investigação de Robert Mueller.

No entanto, a equipa de Robert Mueller acusou Paul Manafort de ter “mentido sobre ter partilhado informações de sondagens com o Konstantin Kilimnik relacionadas com as eleições presidenciais de 2016”. Em reação, e sob pressão, Paul Manafort acabou por reconhecer que “pode ter falado com aquele cidadão russo” enquanto decorria a campanha. O tema, porém, seria outro, de acordo com o que avançou a defesa do ex-diretor de campanha de Donald Trump: um plano de paz para a guerra no Leste da Ucrânia, tema que interessaria a Paul Manafort, uma vez que um dos seus clientes enquanto consultor político foi Viktor Yanukovitch, ex-presidente da Ucrânia, deposto em 2014 e conhecido por ter posições pró-russas.

Paul Manafort está em prisão preventiva desde junho. De acordo com os seus advogados, a estadia do ex-diretor de campanha de Donald Trump tem tido “consequências na sua saúde física e mental”, acrescentando que o seu cliente sofre de gota, o que o obriga por vezes a ficar numa cadeira de rodas. Além disso, o ex-consultor político também sofrerá de ansiedade e depressão.