O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, disse esta quarta-feira, no parlamento, em Lisboa, que denunciou “a situação de rutura” da instituição a sucessivos ministros da Cultura, mas nunca chegou a obter respostas às carências.

O diretor falava perante os deputados da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, da Assembleia da República, onde se deslocou para uma audição, realizada na sequência do requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PSD para ouvir o responsável sobre as razões que o levaram a anunciar que sairá em junho, e não se irá recandidatar ao cargo.

António Filipe Pimentel recordou que fez “denúncias sucessivas sobre as limitações orçamentais e falta de recursos humanos”, no museu, aos ministros da Cultura João Soares e ao seu sucessor Luís Filipe Castro Mendes, “não tendo obtido respostas aos problemas e fragilidades” do MNAA. “A direção do MNAA tentou evitar esta decisão de sair até ao limite, mas as questões de segurança e preservação do património do museu não estão a ser asseguradas”, apontou, acrescentando que a ideia foi “muito ponderada”.

Quanto à proposta do novo regime jurídico de autonomia de gestão de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos, que a atual tutela pretende aplicar ainda este ano, o diretor considerou que, a ser efetivada, irá confrontar os diretores “com um contrato-programa de cinco anos, sem condições para o cumprir”. “Não há uma autonomia sem financiamento e recursos humanos”, sublinhou, perante os deputados.

No início de janeiro, António Filipe Pimentel anunciou que sairá em junho, no final da sua comissão de serviço, “por falta de condições” para trabalhar numa instituição que “está no limite das forças”, decisão que já comunicou à ministra da Cultura, Graça Fonseca. Queixou-se de falta de recursos humanos, numa “pressão constante”, que tem obrigado ao encerramento temporário de várias salas do museu ao longo dos anos, e de uma filosofia da tutela que apoie o MNAA.

António Filipe Pimentel também tem sido um dos vários diretores críticos da proposta de decreto-lei que o Governo está a preparar sobre o novo regime jurídico de autonomia de gestão dos museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos.