O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de São Tomé suspendeu a assembleia que deveria eleger o novo presidente da Federação São-tomense de Futebol (FSF), indica um acórdão ao qual a Lusa teve esta sexta-feira acesso.

[O tribunal decidiu] Suspender os atos relativos a realização da Assembleia Geral eletiva marcada para o dia 18 e ordenar que seja cumprido o estatuído nos artigos 26º e 27º dos estatutos da Federação São-Tomense de Futebol”, refere o STJ, que julgou procedente uma providência cautelar interposta pela candidatura do antigo comandante da Forças Armadas, Idalécio Pachire.

A eleição para o cargo de presidente da FSF tinha inicialmente três candidatos: o presidente cessante e empresário Nino Monteiro procura um segundo mandato consecutivo, Idalécio Pachire, que liderou anteriormente o organismo, também concorre para um segundo mandato, e Jocy Barros, são-tomense residente em Portugal, candidata-se pela primeira vez ao cargo.

Uma comissão ad-hoc, criada pela Federação São-Tomense de Futebol, decidiu chumbar as candidaturas de Idalécio Pachire e de Jocy Barros, alegando “irregularidade graves”, tendo Idalécio Pachire, militar de carreira, apresentado uma providencia cautelar no Supremo Tribunal, pedindo a anulação do ato.

O candidato alegou arbitrariedades praticadas pela comissão ad-hoc na preparação das eleições e acusou a candidatura do presidente cessante, Nino Monteiro, de “violação grosseira” dos estatutos da federação.

As desavenças entre os dois candidatos ao cargo de presidente da Federação São-tomense de Futebol levaram o ministro da Juventude, Desportos e Empreendedorismo, Vinícios de Pina, a convocar os dois para um encontro na quarta-feira, que não foi conclusivo.

Na quinta-feira, estava previsto um encontro entre os dois candidatos para encontrarem um entendimento, a fim de evitar o recurso aos tribunais.

Não há necessidade de uma candidatura ou outra recorrer aos tribunais comuns porque é preciso esgotar todos os argumentos junto da assembleia geral, comissão de apelação e temos no nosso estatuto o tribunal arbitral”, disse Nino Monteiro aos jornalistas, à saída do encontro com o ministro.

Nino Monteiro posicionou-se contra ingerências políticas ou judiciais nos assuntos do desporto e instou o seu adversário a recorrer à assembleia para encontrar uma solução para o chumbo da sua candidatura. Monteiro considerou ainda indesejável uma intervenção da FIFA no processo.

O STJ deu um prazo de 30 dias para se organizar todo o processo eletivo.