Estados Unidos da América

Direita norte-americana revoltada com proposta de lei sobre o aborto no terceiro trimestre

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Kathy Tran é uma legisladora na assembleia estadual da Virginia, nos Estados Unidos, e está no centro de uma (pseudo) polémica criada pelo partido republicano que a acusa de promover o infanticídio

Tran tem 41 anos e celebrizou-se por ter amamentado a sua filha durante uma sessão da assembleia estadual da Virginia

Craig Carper/WCVE News

Kathy Tran, a primeira mulher americana de ascendência asiática a conquistar um lugar na assembleia estadual de Virgina, nos EUA, encontra-se no centro de uma polémica que já chegou à Casa Branca. Depois de se ter destacado há dois anos por trazer consigo, para a assembleia legislativa do seu estado norte-americano, a filha bebé, Tran (que é Democrata) está a ser alvo de um feroz ataque político. Tudo por causa de uma proposta de lei polémica que defende a liberalização do aborto no terceiro trimestre da gravidez.

O rastilho que deu origem a esta controvérsia surgiu há pouco mais de dois dias, quando vários representantes Republicanos fizeram circular pelas redes sociais um vídeo de Tran a apresentar a dita proposta de lei. Nele percebe-se que Todd Gilbert , o líder da maioria republicana, questiona se em teoria, a lei que estava a ser proposta poderia permitir que uma mulher abortasse momentos antes de dar à luz. “Ela está a dilatar…”, acrescenta Gilbert perante um momento de silêncio e hesitação de Tran. “Essa decisão seria tomada pelo médico, o cirurgião e a mulher”, tenta rebater a legisladora antes de finalmente assentir — “A minha proposta de lei ia permitir isso, sim.”

[O vídeo que instigou a polémica]

Após a divulgação deste vídeo surgiu uma vaga enorme de contestação que levou até Donald Trump a pronunciar-se sobre o assunto. Ao The Daily Caller o presidente afirmou que tinha achado “horrível”, a proposta de Tran, relembrando ainda o momento em que afirmou que Hillary Clinton estaria disposta a “arrancar um bebé do útero” — “Lembram-se disso? É assim que as coisas são, é isso que eles estão a fazer. É terrível.”

A mulher de 41 anos recebeu inúmeras ameaças de morte dirigidas a si e à sua família, afirmam líderes democratas citados pelo Washington Post e tem sido acusada pela direita norte-americana de apoiar o infanticídio. Apesar de tudo isto, explicam os mesmos representantes partidários, a polémica não passa de uma emboscada, uma jogada de aproveitamento político. Ao que parece, a proposta de lei submetida por Kathy Tran já tinha sido apresentada à mesma assembleia em anos anteriores. Foi chumbada nessas alturas da mesma forma que voltou a ser na passada segunda-feira.

O facto mais curioso no meio de toda esta história é que o aborto ao terceiro trimestre já é permitido no estado da Virginia, a modificação que esta nova proposta traria é a redução do número de autorizações médicas — de três para uma — bem como a remoção das palavras “substancial e irremediável” que são usadas para descrever o perigo de vida a que a grávida está submetida e que justifica o aborto tardio.

Esta mulher que chegou aos EUA num barco vindo do Vietnam, no final da década de 70, e que foi recebida enquanto refugiada passou a ser demonizada de tal forma que viu-se obrigada a convocar uma reunião popular na capital do distrito pelo qual foi eleita, Fairfax County.

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