Rádio Observador

Estados Unidos da América

Direita norte-americana revoltada com proposta de lei sobre o aborto no terceiro trimestre

139

Kathy Tran é uma legisladora na assembleia estadual da Virginia, nos Estados Unidos, e está no centro de uma (pseudo) polémica criada pelo partido republicano que a acusa de promover o infanticídio

Tran tem 41 anos e celebrizou-se por ter amamentado a sua filha durante uma sessão da assembleia estadual da Virginia

Craig Carper/WCVE News

Kathy Tran, a primeira mulher americana de ascendência asiática a conquistar um lugar na assembleia estadual de Virgina, nos EUA, encontra-se no centro de uma polémica que já chegou à Casa Branca. Depois de se ter destacado há dois anos por trazer consigo, para a assembleia legislativa do seu estado norte-americano, a filha bebé, Tran (que é Democrata) está a ser alvo de um feroz ataque político. Tudo por causa de uma proposta de lei polémica que defende a liberalização do aborto no terceiro trimestre da gravidez.

O rastilho que deu origem a esta controvérsia surgiu há pouco mais de dois dias, quando vários representantes Republicanos fizeram circular pelas redes sociais um vídeo de Tran a apresentar a dita proposta de lei. Nele percebe-se que Todd Gilbert , o líder da maioria republicana, questiona se em teoria, a lei que estava a ser proposta poderia permitir que uma mulher abortasse momentos antes de dar à luz. “Ela está a dilatar…”, acrescenta Gilbert perante um momento de silêncio e hesitação de Tran. “Essa decisão seria tomada pelo médico, o cirurgião e a mulher”, tenta rebater a legisladora antes de finalmente assentir — “A minha proposta de lei ia permitir isso, sim.”

[O vídeo que instigou a polémica]

Após a divulgação deste vídeo surgiu uma vaga enorme de contestação que levou até Donald Trump a pronunciar-se sobre o assunto. Ao The Daily Caller o presidente afirmou que tinha achado “horrível”, a proposta de Tran, relembrando ainda o momento em que afirmou que Hillary Clinton estaria disposta a “arrancar um bebé do útero” — “Lembram-se disso? É assim que as coisas são, é isso que eles estão a fazer. É terrível.”

A mulher de 41 anos recebeu inúmeras ameaças de morte dirigidas a si e à sua família, afirmam líderes democratas citados pelo Washington Post e tem sido acusada pela direita norte-americana de apoiar o infanticídio. Apesar de tudo isto, explicam os mesmos representantes partidários, a polémica não passa de uma emboscada, uma jogada de aproveitamento político. Ao que parece, a proposta de lei submetida por Kathy Tran já tinha sido apresentada à mesma assembleia em anos anteriores. Foi chumbada nessas alturas da mesma forma que voltou a ser na passada segunda-feira.

O facto mais curioso no meio de toda esta história é que o aborto ao terceiro trimestre já é permitido no estado da Virginia, a modificação que esta nova proposta traria é a redução do número de autorizações médicas — de três para uma — bem como a remoção das palavras “substancial e irremediável” que são usadas para descrever o perigo de vida a que a grávida está submetida e que justifica o aborto tardio.

Esta mulher que chegou aos EUA num barco vindo do Vietnam, no final da década de 70, e que foi recebida enquanto refugiada passou a ser demonizada de tal forma que viu-se obrigada a convocar uma reunião popular na capital do distrito pelo qual foi eleita, Fairfax County.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: dlopes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)