A CBS proibiu um anúncio sobre a canábis medicinal de ser transmitida durante o intervalo do Super Bowl, a final da temporada 2018 na National Football League (NFL). O anúncio foi criado pela Acreage Holdings, uma empresa que produz e distribui marijuana em 11 dos 33 estados norte-americanos onde ela é permitida, e renderia mais de 10 milhões de dólares ao canal de televisão dos EUA. No entanto, o vídeo de um minuto foi banido porque “não é consistente com as políticas de publicidade da rede televisiva”.

A publicidade da Acreage Holdings é um incentivo para que a canábis possa ser usada para fins medicinais nos estados norte-americanos que ainda a consideram ilegal. A empresa apresenta os casos de três pessoas para explicar as vantagens desses medicamentos: a mãe de um rapaz que sofre convulsões, um homem que viveu dependente de opióides após três operações à coluna; e um ex-soldado que vivia com dores por ter perdido a perna na guerra. Todos dizem ter melhorado depois de serem tratados com marijuana medicinal.

O vídeo termina com uma mensagem da Acreage Holdings, que pede aos telespectadores para falarem com os senadores para que a canábis medicinal possa ser legal em todos os Estados Unidos. “O conteúdo deste vídeo é para benefício educacional e não pretende constituir uma oferta de venda a qualquer produto ou material”, ressalva a empresa. Mesmo assim, a CBS não aceitou a publicidade e diz que “atualmente não está a aceitar qualquer anúncio relacionado com canábis”.

Entretanto, a Acreage Holdings já respondeu: “Escolhemos lançar a campanha no maior palco da nação. O Super Bowl. A decisão da CBS de rejeitar a campanha representa a questão exata que estamos a enfrentar. Que a lei federal não significa acesso a medicamentos ou mesmo a literacia sobre o assunto”, pode ler-se no comunicado da empresa noticiado pelo Vox. No entanto, a decisão da CBS não é de estranhar: a canábis ainda é categorizada como uma droga de categoria 1 em termos federais.

“Food porn” banida do Super Bowl

A tradição de eliminar anúncios de cariz sexual também se manteve na edição número 53 do Big Game. No passado, já aconteceu com as publicidades criadas por páginas como o site pornográfico PornHub, o site de encontros online Man Crunch ou com a Bud Light, uma versão mais leve das famosas cervejas Budweiser. Este ano não foi exceção e a CBS baniu uma publicidade chamada “Food Porn” criada pela Devour, uma marca de comida congelada.

“Food porn” é uma expressão usada quando uma imagem retrata a comida de uma forma especialmente apetitosa. E a Devour aproveita o conceito no vídeo, em que uma mulher surge a contar a história do namorado viciado nesse tipo de “pornografia”. “O meu namorado é viciado em food porn congelada. Ele vê-a pelo menos duas ou três vezes por dia. Talvez mais”, diz a mulher. E acrescenta: “Este vício tornou-o num homem dos três minutos. Tentei apimentar as coisas mas não resultou. É difícil de resistir”.

O vídeo foi banido não só pelas mensagens ditas pela mulher como também pelas cenas que a publicidade retrata. Há imagens na publicidade que comparam a comida à masturbação e ao sexo oral, por exemplo.

Por isso a CBS tomou uma decisão: o vídeo podia ser colocado no Super Bowl, mas tinha de ser modificado para não fazer referência à pornografia. E para que alguns dos momentos retratados no vídeo fossem retirados. Não aconteceu.