Depois de surpreender com a sua abertura para ceder a outros fabricantes, sob licença, a plataforma MEB (especificamente desenvolvida para veículos eléctricos), a Volkswagen volta a ser notícia no âmbito da mobilidade eléctrica, ao anunciar que está a adquirir e a instalar Powerpacks da Tesla em mais de uma centena de estações de carregamento que compõem a rede Electrify America, nos Estados Unidos da América.

Segundo a Electrify America, os Powerpacks da Tesla vão ser montados no decorrer deste ano. Graças a estas baterias, é possível armazenar até 350 kWh e fornecer até 210 kW, o que significa que a rede da Volkswagen deverá “aguentar” com várias solicitações de carregamento de veículos eléctricos em simultâneo – os chamados picos de carga.

Além de “vender”, qual é o interesse da Tesla em fornecer a sua tecnologia à concorrência? Certamente que o marketing da companhia norte-americana ficará grato, pois não deixa de ser uma óptima ‘campanha’ ter um dos maiores construtores mundiais de automóveis a optar pela tecnologia de uma marca que, há cerca de um ano, alguns diziam que estaria prestes a falir. Aliás, é o próprio CEO da Electrify America, Giovanni Palazzo, quem justifica a opção pelos Powerspacks da Tesla “devido à sua experiência global no desenvolvimento de soluções para armazenar energia em baterias e no carregamento de veículos eléctricos”.

A Electrify America pretende ter, até meados de 2019, uma rede de quase 3.000 carregadores em solo norte-americano. Porém, até agora, só 89 estações de carga estão a funcionar. Recorde-se que, na Europa, a Volkswagen juntou-se à BMW, Daimler e Ford para implementar a rede Ionity, com carregadores de alta potência (350 kW). Em Portugal e Espanha, coube à Cepsa acolher esses pontos de carga (cerca de uma centena) nas suas estações de serviço, tendo sido anunciado que estariam operacionais no início deste ano.

Complementarmente, a Volkswagen está a desenvolver postos móveis para carregamento de veículos eléctricos, cuja produção já se iniciou, embora a sua chegada ao mercado não deva acontecer antes de 2020.