O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, encerrou esta terça-feira um debate com jovens sobre Europa na Assembleia da República com um apelo à participação de todos na construção do projeto europeu.

Descrevendo a União Europeia como “um objeto estranho”, por não haver outro igual, fundado em nome da paz e que evoluiu para construção de um modo de vida, um modelo social e uma entidade política, Santos Silva frisou a importância de ela ser enriquecida com a participação “de todos os europeus”, “homens e mulheres, de todas as gerações, condições, orientações e filiações”.

Essa participação, prosseguiu, deve ser feita em três planos: a procura e “interpretação crítica” da informação, a “participação no debate público” e “a participação no poder de decisão”, escolhendo os representantes e a orientação política que devem adotar.

“Não importa o que queiram, o que pensem, o que digam. Precisamos que se levantem e votem livremente”, lançou à assistência, constituída por perto de uma centena de estudantes de universidades de diferentes pontos do país.

O ministro falou no encerramento do debate “Comunicar a Europa em ano de Eleições”, no qual foi publicamente apresentado o relatório sobre os Encontros com os Cidadãos em Portugal.

Informação, educação, ‘fake news’ e manipulação foram palavras-chave do debate, em que participaram a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, a chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Alves, especialistas e deputados da comissão parlamentar dos Assuntos Europeus.

Sofia Alves destacou medidas já tomadas pelas instituições europeias, como os acordos com empresas que gerem redes sociais e plataformas para combater as ‘fake news’ e a criação de um sistema de alerta rápido envolvendo os Estados-membros para sinalização atempada da desinformação.

“A manipulação de informação obedece a quatro ‘d’: Distrair, distorcer, desanimar, defraudar, e, se não se age muito rapidamente, em menos de 24 horas, já não se consegue”, explicou.