A ordem era para não falar da moção de censura do CDS, para não “dispersar” atenções do debate de ideias promovido este sábado pelo PSD. Foi o que Rui Rio fez esta manhã à chegada à convenção do Conselho Estratégico Nacional, e foi o que tentou fazer Paulo Rangel em declarações aos jornalistas à margem do mesmo evento. Mas o candidato do PSD às europeias não resistiu a uma alfinetada ao partido de Assunção Cristas: “O PSD é um partido de governo, é um partido responsável, não é um partido de protesto”, limitou-se a dizer, repetindo a mesma ideia várias vezes para deixar subentendido que a crítica era para o CDS que, ao contrário do PSD, se pode prestar a este tipo de números políticos.

Questionado diretamente pelos jornalistas sobre se o Governo não merece ser censurado, Paulo Rangel jogou com as palavras: “Toda a gente sabe que o Governo merece ser criticado, mas o PSD é um partido de oposição responsável, um partido com vocação de governo natural e não é um partido de protesto”. E para quem achasse que com estas palavras estava a querer dizer que o CDS era, ele sim, um partido de protesto e “irresponsável”, Rangel esclareceu: “Estou qualificar o PSD, não estou a desqualificar os outros”.

Paulo Rangel recusou, assim, responder à pergunta para um milhão de euros sobre se o PSD deve ou não votar a favor da moção de censura apresentada pelo CDS ao Governo, que vai ser discutida e votada na próxima quarta-feira. Isso “não é tema para hoje”.

“No dia em que estamos a preparar o programa eleitoral do PSD, não vou naturalmente tratar da moção de censura. Há uma coisa que nós sabemos: o PSD é uma oposição responsável, é um partido de governo, não é um partido de protesto. Isto é uma marca de água do PSD”, disse em declarações aos jornalistas.

Ministros do PS na corrida às europeias? “Houve aproveitamento de funções para propaganda eleitoral”

No dia em que o PS realiza, à mesma hora que o PSD, uma convenção europeia para anunciar o seu cabeça de lista, Paulo Rangel recusa fazer comentários, para já, sobre os nomes de que se fala. Ainda assim, e sem dizer nomes, o candidato do PSD ao Parlamento Europeu não poupou críticas ao facto de pelos menos dois ministros do atual governo estarem a aproveitar as suas funções no executivo para fazer “propaganda eleitoral”.

“Houve um aproveitamento indevido de um cargo para fazer propaganda eleitoral e para lançar pessoas que não tinham notoriedade nem reconhecimento, e tentar dar-lhes essa notoriedade e reconhecimento“, disse Paulo Rangel acusando esses mesmos “ministros” de estarem a fazer uma “usurpação de funções”. Não disse nomes, mas referia-se a Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas, que será o cabeça de lista do PS, e a Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, que também deverá integrar a lista ao Parlamento Europeu.

Para Paulo Rangel, o facto de o próprio primeiro-ministro já ter confirmado que vai haver uma remodelação no executivo, para que esses ministros possam fazer campanha eleitoral, é a prova de que “há alguma má consciência”. Em todo o caso, os nomes ainda não foram oficialmente confirmados (coisa que deverá acontecer esta tarde, em Vila Nova de Gaia), mas Rangel promete reagir “em tempo real”.

“Eu falo e reajo na hora. Eu reajo quando os nomes forem anunciados, ainda não foram. Eu estarei aqui”, disse.

Enquanto isso não acontece, Rangel prefere falar de outros “problemas reais dos portugueses”, como é o caso dos portugueses residentes na Venezuela. Paulo Rangel vai este domingo a Caracas, por iniciativa sua, enquanto vice-presidente do Partido Popular Europeu, e do vice-presidente espanhol do mesmo grupo, para reunir com os grupos parlamentares e com o presidente interino, Juan Guaidó. Rangel espera ainda reunir-se com “membros da administração de Nicolás Maduro”, mas ainda não é certo. “Estarei ao lado da comunidade portuguesa e em defesa da liberdade e da prosperidade do povo venezuelano e da comunidade lusa. Isso sim, é trabalho construtivo”, garantiu.