Em linha reta, são 22 quilómetros. De comboio, uma hora e meia. Os poucos que optarem por fazer esta viagem pela via ferroviária são ainda sujeitos a um obrigatório transbordo na estação de Lousado, em Vila Nova de Famalicão. Braga e Guimarães são cidades vizinhas mas não estão ligadas diretamente pela ferrovia. Algo que para o PCP é uma falha grave que merece ser resolvida “o mais depressa possível”. Nesse sentido, os comunistas vão apresentar uma iniciativa legislativa para que a criação de uma ligação direta entre estas duas cidades avance. Para isso, esperam contar com a sensibilidade do novo titular da pasta das infraestruturas no Governo, o recém-empossado Ministro Pedro Nuno Santos.

Os deputados do PCP à Assembleia da República e o eurodeputado João Ferreira estiveram esta manhã na estação de comboios de Braga precisamente para alertar para esta ausência de ligação. Numa ação de sensibilização inserida nas jornadas parlamentares do partido, que terminam esta terça-feira, anunciou-se a apresentação de uma proposta que visa instar o Governo a criar esta ligação direta. “É um dos exemplos mais evidentes do investimento que é preciso fazer na ferrovia“, explicou o líder da bancada comunista, João Oliveira. “Esta é uma situação insustentável”, completou.

Não há custos calculados nem previsão temporal para a construção desta ligação. “Não há qualquer estudo sobre isto”, justificou o deputado. Mas o objetivo do PCP é mesmo o de reunir as condições necessárias para que, depois de todos os estudos feitos, se inicie a criação desta via.

É impossível de prever quantos utentes reais beneficiariam desta medida, já que pela demora da viagem são muito poucos os passageiros que preferem ir de comboio. No entanto, “o pêndulo entre as duas cidades é enorme“, assegura João Oliveira. Seria mais uma solução que estaria ao dispor de quem quisesse deslocar-se entre as duas cidades. Desde estudantes da Universidade do Minho até trabalhadores, o PCP acredita que o número de pessoas beneficiadas por esta solução possa ser considerável.

Questionado sobre se o facto de Pedro Nuno Santos ter assumido segunda-feira a pasta das infraestruturas pode ser uma mais-valia na abertura do Governo para acolher esta medida, João Oliveira tentou ser evasivo. “Aquilo que é importante são opções políticas do Governo, independentemente das opções pessoais ou da personalidade deste ou daquele membro”, disse. “Esperamos que este projeto possa ter outra companhia para lá dos votos dos deputados do PCP”, acrescentou. E mais não disse. O facto de o agora Ministro do Investimento e da Habitação ter sido o pivô do Governo nas negociações com os partidos de esquerda durante esta legislatura, garante João Oliveira, não será determinante.