Drogas

Analgésico desaparecido “contém risco público” diz diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos

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João Goulão diz que fentanil é perigoso para a saúde pública, mas que não há razão para "entrar em pânico". Nos EUA e Canadá, a substância criou "uma autêntica epidemia". Foi a mesma que matou Prince.

O fentanil tem criado, nos últimos anos, uma "autêntica epidemia" nos Estados Unidos

Drew Angerer/Getty Images

Não se sabe ainda para onde foram mas João Goulão deixa o alerta: as 430 unidades de um potente analgésico Fentanilo Basi que desapareceram de um distribuidor em Portugal, pode ser perigos para a saúde pública.

“Este desaparecimento pode representar algum risco público” diz o médico e diretor-geral do SICAD, Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências. Em declarações ao Observador, o especialista diz que o fentanil “é uma substância que, se for usada fora do contexto terapêutico, envolve riscos sérios porque tem uma margem de segurança muito menor se a compararmos, por exemplo, com a heroína”, acrescenta.

Um produto demasiado potente —  um opióide 50 vezes mais potente do que a heroína, o mesmo que causou a morte do músico Prince — e que não deve cair nas mãos erradas: “É um produto que pode interessar ao narcotráfico. Não podemos já assumir que este desaparecimento está relacionado com o mercado ilícito, mas devemos estar atentos, principalmente o INFARMED e a Polícia Judiciária”. Contudo, o médico apela à calma neste momento: “Não vale a pena entrarmos em pânico relativamente a isto”.

Segundo o Infarmed, o caso abrange 430 unidades do medicamento Fentanilo Basi, solução injetável, 0,05 mg/ml, ampola – 10 unidade(s) – 5 ml, que desapareceram de um distribuidor por grosso de medicamentos de uso humano em Portugal. Doses muito elevadas e que preocupam João Goulão caso sejam tomadas sem as medidas de segurança necessárias: “Como todos os opiáceos, há sempre um risco de haver, por exemplo, uma paragem cardio-respiratória. O problema é que uma substância como esta tem uma margem de segurança extremamente baixo”.

O caso pode preocupar mais se tivermos em conta o histórico recente do uso da substância em países da América do Norte. Segundo João Goulão, esses países vivem uma “autêntica crise” em relação ao fentanil: “Nos Estados Unidos ou Canadá, aquilo que acontece é uma verdadeira epidemia, com uma escalada no número de mortos por overdose devido a esta substância”. Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América, desde 2013 morreram mais de 25 mil pessoas devido a overdose relacionada com o consumo de fentanil, dizia o The New York Times em novembro do ano passado.

Por enquanto e até agora, garante o médico, não há praticamente amostra de problemas relacionados com o consumo recreativo desta substância em Portugal. “Para já não temos reportados, em Portugal, pedidos de ajuda de dependência da substância, só casos pontuais. Nada como nos Estados Unidos, por exemplo, em que há uma chuva de pedidos de ajuda sobre o fentanil, até com stress pós-traumático”.

A substância fentanil é usada na analgesia de curta duração ou quando necessário para período pós-operatório imediato e também como componente analgésico da anestesia geral e suplemento da anestesia local. O INFARMED já lançou um alerta nacional e internacional.

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