28 jogadoras da seleção de futebol feminino dos Estados Unidos processaram esta sexta-feira a United States Soccer Federation, a Federação de Futebol dos Estados Unidos, devido a queixas de discriminação de género. A tomada de posição das atletas surge como o culminar de uma luta sobre igualdade salarial e condições laborais travada entre as duas partes há vários anos e aparece apenas meses antes de Carli Lloyd, Megan Rapinoe, Alex Morgan e companhia começarem defender o título mundial conquistado em 2015, já que o Campeonato do Mundo de futebol feminino arranca no mês de junho.

No processo, as 28 jogadoras acusam a federação — o organismo que regula todo o futebol, masculino e feminino, nos Estados Unidos — de anos daquilo a que chamam “discriminação de género institucionalizada”. As queixas da seleção, de acordo com o New York Times, não dizem respeito somente aos salários mas também ao facto de a federação norte-americana controlar onde as jogadoras jogam e com que frequência, a forma como treinam, os tratamentos médicos que recebem e até a maneira como viajam até aos locais dos jogos.

Os pontos referidos no processo agora tornado público incluem alguns dos problemas descritos por cinco jogadoras titulares da seleção — Alex Morgan, Hope Solo, Carli Lloyd, Megan Rapinoe e Becky Sauerbrunn — numa queixa feita à Comissão de Igualdade de Oportunidade Laboral dos Estados Unidos em 2016. A ausência de uma resolução, de qualquer ação governamental ou atitude por parte da federação após essa primeira medida terá levado um conjunto ainda maior de atletas a apresentar então o processo conhecido esta sexta-feira.

Alex Morgan e Carli Lloyd, duas das melhores jogadoras de futebol do mundo, integram o grupo que interpôs a ação judicial

A ação judicial representa todas as jogadoras que tenham representado a seleção dos Estados Unidos desde fevereiro de 2015 — numa janela que pode incluir outras dezenas de jogadoras — e exige o pagamento de retroativos e danos, numa quantia que pode chegar aos milhões de dólares. O processo é então o último capítulo de uma luta que dura há vários anos (primeiro de forma interna e privada, depois de forma pública) e que tem como pontos fulcrais a compensação salarial, o apoio às atletas e as condições laborais enquanto as jogadoras representam os Estados Unidos: o grupo que agora leva o caso para os tribunais defende que lhe é exigido um número superior de jogos e vitórias do que aquele que é pedido à seleção masculina e que a recompensa monetária é significativamente inferior.

As comparações diretas entre os salários auferidos pelos jogadores e pelas jogadoras das seleções dos Estados Unidos podem, ainda assim, ser bastante complicadas. Cada equipa tem um acordo negociado com a federação e uma das principais diferenças entre o futebol masculino e feminino é exatamente a estrutura de pagamento: enquanto os homens recebem bónus superiores sempre que jogam pela seleção mas só são pagos quando são convocados, as mulheres recebem bónus de valor inferior mas têm salários garantidos.