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Samaris e a nova vida de um grego que já agrada a troianos (a crónica do Moreirense-Benfica)

Este artigo tem mais de 1 ano

Samaris marcou pelo segundo jogo consecutivo e foi o melhor elemento do Benfica na goleada imposta ao Moreirense. O grego, que estava fora das opções de Rui Vitória, é agora essencial para Bruno Lage.

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O médio grego marcou o segundo golo do Benfica depois de um canto batido por Pizzi

EPA

O médio grego marcou o segundo golo do Benfica depois de um canto batido por Pizzi

EPA

Quando o Moreirense visitou a Luz, em novembro, tornou-se a primeira equipa (e única, até agora) a vencer no estádio do Benfica e agudizou uma crise encarnada que tinha Rui Vitória como alvo preferencial. Depois de perder no Jamor frente ao Belenenses SAD, o Benfica voltou a escorregar com a equipa de Moreira de Cónegos mas Vitória sobreviveu aos primeiros rumores que o colocavam nas placas de saída — como haveria de sobreviver aos segundos, depois da goleada em Munique, acabando por capitular apenas após perder com o Portimonense já em janeiro. Face a esse período, o Benfica que este domingo visitava o Moreirense tinha apenas uma coisa em comum com esse Benfica que em novembro perdeu na Luz: acontecia precisamente depois de um resultado menos positivo frente ao Belenenses SAD.

Depois do passo em falso na passada segunda-feira — o Benfica esteve a vencer a equipa de Silas por dois golos mas acabou por ceder o empate –, os encarnados ficaram sem a margem de erro que haviam conquistado no Dragão na semana anterior e estavam em igualdade pontual com o FC Porto na liderança da Primeira Liga. Os dragões, porém, receberam e bateram o Marítimo e pressionavam o Benfica na sempre difícil deslocação a Moreira de Cónegos (onde o FC Porto perdeu pontos esta temporada). Para regressar ao topo da classificação, a equipa de Bruno Lage estava obrigada a vencer a equipa sensação do Campeonato. E, talvez por isso o treinador encarnado não tenha querido arriscar.

Depois de poupar e gerir na receção ao Dínamo Zagreb a meio da semana, onde o Benfica acabou por carimbar a passagem aos quartos de final da Liga Europa, Lage restaurou a titularidade de Grimaldo, Samaris e João Félix e manteve Jonas na frente de ataque face à lesão de Seferovic — enquanto que Pizzi e Rafa eram os donos dos corredores. Fejsa e Yuri Ribeiro, ambos no onze inicial que defrontou a equipa croata na quinta-feira, saíam da convocatória. Do outro lado, Ivo Vieira não podia contar com o guarda-redes Jhonatan, que partiu um braço na jornada anterior, nem com Heriberto, por pertencer aos quadros encarnados.

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Ficha de jogo

Moreirense-Benfica, 0-4

26.ª jornada da Primeira Liga NOS

Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

Moreirense: Trigueira, João Aurélio, Halliche, Ivanildo, Bruno Silva (D’Alberto, 45′), Fábio Pacheco (Ibrahima, 45′), Ângelo Neto, Chiquinho, Arsénio (Nené, 60′), Bilel, Pedro Nuno

Suplentes não utilizados: Macedo, Iago Santos, Teixeira, Lucas Rodrigues

Treinador: Ivo Vieira

Benfica: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Samaris, Gabriel (Florentino, 77′), Pizzi (Gedson, 72′), Rafa, João Félix, Jonas (Cervi, 85′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Corchia, Zivkovic, Jota

Treinador: Bruno Lage

Golos: João Félix (37′), Samaris (43′), Rafa (48′), Florentino (83′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a João Aurélio (6′), Fábio Pacheco (36′), Ivanildo (63′), Bilel (90′)

O Benfica entrou mais forte no jogo, com uma grande oportunidade logo aos três minutos: Rafa ganhou uma bola em zona já avançada do terreno e serviu Pizzi, que entrava na grande área a partir da direita. O médio português recebeu e atirou em jeito à baliza de Trigueira mas a bola passou ao lado. Estava feito o primeiro aviso — não só de que o Benfica tinha viajado até Moreira de Cónegos com a intenção de resolver rápido um jogo que se poderia tornar complicado mas também da forma como Bruno Lage tinha preparado a partida. Rafa, a partir do corredor esquerdo, era o grande dinamizador e criativo de uma organização ofensiva que este domingo tinha João Félix mais preso à faixa central, Jonas mais móvel e Pizzi a procurar terrenos interiores sem nunca se prender muito à ala, onde André Almeida fazia a dobra.

Depois de dez minutos muito físicos e intensos — Grimaldo sofreu uma entrada agressiva de João Aurélio e chegou a preocupar Bruno Lage –, o jogo acalmou e o Moreirense deixou perceber qual era a ideia para a receção ao Benfica em termos de ataque. Se em terrenos recuados a ideia era congelar João Félix e tentar asfixiar Gabriel, muitas vezes o paciente zero dos lances de golo dos encarnados, nas zonas mais avançadas do relvado o Moreirense procurava de forma mais frequente os corredores, com Arsénio na direita e Bilel na esquerda. Bilel, porém, nem sempre correspondia às solicitações de Neto e Fábio Pacheco e falhou muitas vezes no último passe para Pedro Nuno, obrigando a equipa de Ivo Vieira a privilegiar a ala direita, onde Arsénio se assumia como elemento mais perigoso do Moreirense. No período mais pressionante da equipa de Moreira de Cónegos, a meio da primeira parte, Bilel chegou mesmo a introduzir a bola na baliza de Vlachodimos com um cruzamento que saiu muito chegado à pequena área mas Nuno Almeida anulou de imediato o lance por fora de jogo de Arsénio, que teve influência na saído do guarda-redes grego dos postes (22′).

[Carregue nas imagens para ver os melhores momentos do Moreirense-Benfica:]

No ataque, o Benfica continuava a tentar arrancar a partir da esquerda para o meio, onde estava sempre João Félix demasiado sozinho: o jovem avançado português parecia até estar a passar um pouco ao lado do jogo, pouco móvel e pouco embrenhado nas transições de fora para dentro. Foi assim, contudo, que o Benfica acabou por chegar ao primeiro golo — que só não contou porque o VAR entendeu que Pizzi estava em posição de fora de jogo na altura do passe de Rafa. Ainda assim, estava dado o exemplo: Rafa trouxe a bola do corredor para a faixa central, aguentou a carga, desmarcou Pizzi na direita e o médio português serviu Jonas no coração da grande área (30′). Sete minutos depois, com intervenientes diferentes mas novamente da esquerda para o meio, os encarnados conseguiram mesmo chegar à vantagem.

Lançamento de linha lateral marcado de forma rápida na esquerda da defesa e Grimaldo a fazer um passe a rasgar toda a defesa do Moreirense. Ivanildo Fernandes, colocado à frente de João Félix, parecia ter o lance controlado mas acabou por falhar o corte, deixando o jovem encarnado isolado e na cara de Trigueira. Félix, com um remate em jeito, inaugurou o marcador e fez o sexto golo em oito jornadas (37′). O Moreirense pouco ou nada reagiu à desvantagem, sempre com pouco critério no último passe, e o Benfica acabou por conseguir aumentar a vantagem numa altura em que a equipa de Ivo Vieira já só pensava no intervalo. Pontapé de canto batido por Pizzi na direita e Samaris, totalmente imperial, a aparecer entre os centrais para marcar pelo segundo jogo consecutivo (43′): chegando aos dois golos desde o início da temporada e igualando o melhor registo goleador no Benfica, em 2015/16. O Moreirense ainda podia ter reduzido antes da ida para o descanso — grande defesa de Vlachodimos a cabeceamento de Pedro Nuno — mas o Benfica foi mesmo para o intervalo a vencer por dois golos de diferença e com a partida parcialmente controlada.

No regresso para a segunda parte, Ivo Vieira procurou recuperar o período mais ofensivo do Moreirense e fez uma dupla substituição: tirou Bruno Silva e Fábio Pacheco, lançou D’Alberto e Ibrahima. Como resposta, o Benfica aumentou a vantagem logo aos três minutos de jogo, num lance que foi uma espécie de inversão daquilo que havia acontecido durante a primeira parte. Lançamento na direita, João Félix e Jonas trocam a bola em passe curto e é o brasileiro que serve Rafa com um passe vertical. À saída de Trigueira, o médio picou para o terceiro do Benfica e para o 10.º da conta pessoal, marcando pela quinta vez em seis jornadas. Aos 48 minutos, os encarnados tinham o encontro praticamente sentenciado e o Moreirense pouco ou nada fazia para procurar uma reação.

À exceção de um livre direto de Chiquinho que motivou uma grande defesa de Vlachodimos (53′) e um remate na direita com os mesmos intervenientes (76′), o Moreirense nunca conseguiu chegar com perigo à área do guarda-redes grego. O Benfica, compreensivelmente e racionalmente, tendo em conta a maratona de 120 minutos contra o Dínamo Zagreb na quinta-feira, baixou o ritmo e optou por trocar a bola sem nunca perder o controlo do meio-campo. Bruno Lage geriu e fez entrar Gedson e Florentino para poupar os ultra utilizados Gabriel e Pizzi e os encarnados seguraram a vantagem folgada até ao final da partida. Florentino, no seguimento de uma grande confusão depois de um pontapé de canto, ainda teve tempo de se estrear a marcar pela equipa principal.

O Benfica bateu de forma inequívoca um adversário difícil e que tinha vencido na Luz e voltou às vitórias na Primeira Liga depois da escorregadela contra o Belenenses SAD. Mais do que isso, os encarnados não deixaram fugir o FC Porto e estão novamente no topo da classificação com os mesmos pontos dos dragões mas com a tranquilidade da vantagem no confronto direto. Para isso, muito terá de agradecer a um grego: Samaris. O médio marcou pelo segundo jogo consecutivo e foi o melhor elemento do Benfica nesta segunda vida que lhe foi dada por Bruno Lage.

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