Um estudo genético publicado na semana passada pelo “Journal of Forensic Sciences” diz que o verdadeiro Jack, o Estripador é Aaron Kosminski, o barbeiro polaco de 23 anos que era um dos principais suspeitos na época. As conclusões são, ainda assim, contestadas pela revista “Science”, que já veio alegar que as evidências não são conclusivas o suficiente para dar o caso como encerrado.

O estudo da autoria de Jari Louhelainen, bioquímico da Universidade John Moores, em Liverpool, e David Miller, da Universidade de Leeds, é baseado num exame forense a um xaile de seda que foi encontrado junto a Catherine Eddowes — a quarta vítima do serial-killer –, em 1888. Segundo o estudo, o xaile preservou restos biológicos de sangue e sémen do assassino.

Apesar das dúvidas, a identidade revelada pelo estudo não surpreende, tendo em conta que Aaron Kosminski era um dos nomes que integravam a lista de suspeitos da Scotland Yard — a policia britânica. Um dos autores do estudo, Jari Louhelainen, tinha já analisado a peça de vestuário, em 2014, a pedido do escritor Russel Edwards, mas a comunidade cientifica não deu grande crédito à investigação, alegando falta de detalhes.

Neste novo estudo, a dupla de investigadores garante que esta é a “análise genética mais sistematizada e avançada até aos dias de hoje” no que toca aos crimes cometidos por Jack, o Estripador. Os investigadores compararam as amostras de ADN no xaile da vítima com amostras dos descendentes vivos de Eddowes e Kominski — o suspeito de ser o serial-killer –, e uma dessas amostras corresponde a uma outra de um familiar do suspeito. O estudo adianta ainda que o assassino tinha olhos e cabelos castanhos, características que correspondem aos relatos feitos na época.

Ainda assim, a análise continua a gerar reservas junto da comunidade científica, tendo em conta que foi utilizado um método de sobreposição de cores através de infográficos, que indicam a correspondência do ADN. Este método foi utilizado para evitar a publicação completa da sequência genética dos familiares, ainda vivos, da vítima e do suspeito. Os investigadores alegam que o sistema foi escolhido por causa de uma lei de proteção de dados em vigor no Reino Unido e para facilitar a leitura por parte da comunidade “não-científica”.

Outros especialistas a nível mundial criticam o método, alegando que a publicação das sequências completas de ADN não viola a privacidade das pessoas e que, assim, as conclusões apenas permitem excluir suspeitos — e não inclui-los. A contaminação do ADN presente no xaile ao longo do último século é também uma das críticas mais ouvidas na comunidade científica.

Esta não é a primeira vez que é feito um estudo com recurso a amostras de ADN para tentar identificar o verdadeiro Jack, o Estripador. Em 2000, a escritora norte-americana Patricia Cornwell investiu quatro milhões de dólares no financiamento de uma investigação que apontou para o escritor Walter Richard Sickert — que pintou várias obras associadas ao assassino. Este estudo foi também desacreditado pela comunidade científica por ter sido, alegadamente, baseado em cartas falsas escritas pelo Estripador.

Jack, o Estripador é um dos serial-killers mais famosos do mundo, suspeito de ter assassinado pelo menos cinco pessoas em 1888. Os crimes foram alvo de uma grande cobertura mediática. O Estripador acabou por se tornar uma lenda, para a qual contribuiu o facto de a polícia nunca ter conseguido confirmar qualquer detalhe sobre a identidade do assassino.