SEAT

20.000€. Como a Seat vai propor eléctricos baratos

A Seat vai estar na linha da frente da mobilidade eléctrica do Grupo VW propondo o el-Born e o Mii a bateria e participando no desenvolvimento de uma base para um eléctrico tipo Ibiza, mais barato.

O Grupo Volkswagen está apostado em que os carros eléctricos a bateria sejam um sucesso. Desdobra-se em investimentos em novas plataformas, motores, baterias e até nos elementos necessários à sua produção, como o lítio e o cobalto, fundamentais para construir as células que formam os packs de baterias. E todas as marcas estão alinhadas com este objectivo. Mas não deixa de ser uma surpresa o facto de a Seat, uma das (ainda) mais pequenas marcas do grupo, ter um papel preponderante em todo este processo, com o fabricante a preparar-se para lançar seis novos modelos com baterias recarregáveis até ao início de 2021, sendo dois eléctricos e quatro híbridos plug-in.

A base de toda a estratégia do grupo alemão passa pela plataforma MEB, que vai gerar uma família de modelos para as principais marcas do conglomerado, da Volkswagen à Audi, passando pela Seat e pela Skoda, num total de seis veículos distintos. Isto apenas no primeiro ano de produção. Não deixa pois de ser curioso que, entre tantos emblemas, tenha sido precisamente o espanhol a ser o escolhido para mostrar as formas definitivas do primeiro veículo fabricado com base na MEB. O el-Born, “irmão” tão gémeo quanto possível do Volkswagen I.D. foi o primeiro a mostrar como vai ser o primeiro eléctrico da nova vaga do Grupo VW, agendado para 2020. E por um valor que terá de ser inferior ao anunciado pela VW para o I.D., que alinhará pelo Golf TDI na Alemanha, ou seja, 23.000€.

Finalmente o Mii eléctrico, virado para a cidade

Se o el-Born foi anunciado no início de Março, hoje a Seat revelou que estão reunidas as condições para iniciar a produção do Mii eléctrico, o equivalente na marca espanhola ao Volkswagen e-up!. O Mii alimentado por bateria irá estar disponível até ao início de 2021, ou seja, poucos meses depois do el-Born, consolidando a oferta com zero emissões da marca, necessária para que seja atingido o limite máximo de 95 gramas de dióxido de carbono por quilómetro, imposto por Bruxelas, como média do Grupo VW.

Se o VW e-up! é proposto em Portugal por cerca de 24 mil euros, na versão mais acessível, o Mii eléctrico deverá posicionar-se ligeiramente acima dos 20.000€, tanto mais que certamente irá beneficiar dos ganhos que entretanto o grupo conseguiu em matéria de redução dos custos das baterias, a peça mais cara de um veículo eléctrico. No entanto, de acordo com o que conseguimos apurar, o diferencial de preço para o el-Born não será grande, a ponto de justificar a diferença considerável em termos de dimensão, espaço interior, mala e sobretudo tecnologia, uma vez que se tratará de um dos veículos eléctricos mais modernos do mercado quando surgir, no próximo ano. Ainda assim, entre plataformas de carsharing e outros tipo de aluguer para sistemas de mobilidade urbana, o Mii eléctrico não deixará de fazer o seu percurso.

A estes dois modelos, há que somar o Minimo Concept, um pequeno e estreito veículo de dois lugares similar ao Twizy, bem como a trotineta eléctrica eXS, com ambos a serem igualmente contemplados na estratégia de mobilidade eléctrica do grupo alemão.

Um eléctrico tipo Ibiza por menos de 20.000€

Este é, provavelmente, o maior projecto em que a Seat está envolvida. O objectivo é criar uma nova plataforma a partir da MEB, cuja versão mais curta arranca nos 4,2 metros, ou seja, o comprimento de um Leon de cinco portas, ou um VW Golf, precisamente a que o el-Born e o I.D. vão recorrer. Os cerca de 300 técnicos do centro de I&D de Martorell, juntamente com os colegas alemães em Wolfsburg, vão conceber aquela que deverá ser a MEB 0, com cerca de 4 metros de comprimento, mas recorrendo a muitos elementos comuns com a MEB, tantos quanto possível para conter os custos.

Além de ser barata de desenvolver, por recorrer à tecnologia já utilizada na MEB, a eventual MEB 0 terá outro elemento a puxar para baixo o seu preço, dado que servirá de base a todas as marcas do Grupo Volkswagen, especialmente aquelas que têm interesse em propor um modelo com as características de um utilitário com as dimensões exteriores de um Ibiza. Mais pequeno e leve, o futuro eléctrico irá assim necessitar de uma menor quantidade de baterias para assegurar ainda assim uma autonomia interessante, o que lhe vai garantir um preço abaixo dos 20.000€.

À semelhança do que vai acontecer com a MEB, também a MEB 0 irá ser utilizada para fabricar veículos eléctricos na Europa, China e EUA, o que ajuda a conseguir reduzir os custos para a mencionada fasquia.

Híbridos e híbridos plug-in também estão previstos

Se a Seat aposta decididamente nos 100% eléctricos, a fábrica de Martorell não vai virar as costas aos híbridos plug-in (PHEV). Aproveitando o facto deste tipo de solução tecnológica ser (de momento) beneficiada pelo legislador europeu, que lhes permite anunciar consumos médios de 3 litros mesmo quando oferecem potências superiores a 600 cv, a Seat acredita que os PHEV são a solução ideal para alguns dos seus veículos, bem como da sua outra marca, a Cupra.

Visando incrementar a potência total do modelo, somando a potência do motor de combustão à força de uma unidade eléctrica, pelo menos enquanto tiver energia na bateria, os PHEV conseguem ser mais rápidos no arranque e em reprise, para depois serem mais económicos, especialmente se os condutores lhe recarregarem a pequena bateria sempre que possível, de forma a poder percorrer cerca de 50 km electricamente.

Do lado da Seat, o próximo Leon, que está em vias de ser apresentado, vai ter direito a uma versão PHEV com vocação desportiva, um pouco à semelhança do que vai acontecer com o SUV Tarraco. A Cupra, por outro lado, vai lançar o novo Leon muito em breve, já com opção PHEV, procedendo de igual forma com o novo SUV coupé Formentor, com uma potência que deve rondar os 245 cv e um apetite de “passarinho”, podendo mesmo circular em modo 100% eléctrico durante 50 km, meta que é agora mais fácil de atingir em condições reais nos novos modelos, já homologados segundo o método WLTP. À vantagem no consumo e emissões, há que somar as ajudas financeiras, asseguradas de forma diferente pelos distintos países europeus.

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