Empreendedorismo

Projeto ibérico já permitiu incubar ideias, registar patentes e criar protótipos

A iniciativa está a ser desenvolvida por sete universidades portuguesas e espanholas. O INESPO III procura transformar ideias em projetos.

ANTÓNIO JOSÉ/LUSA

Um projeto ibérico que está a ser desenvolvido por sete universidades portuguesas e espanholas já permitiu incubar ideias de negócio, registar patentes e apoiar a criação de protótipos, disse esta quarta-feira à agência Lusa o responsável do consórcio. “Arrancámos com esta terceira edição do INESPO em setembro de 2017 e os resultados obtidos até agora têm sido um verdadeiro sucesso. Já envolvemos mais de 500 participantes em diferentes ações, temos 43 ideias inovadoras ou de negócio em pré-incubação, conseguimos registar 140 patentes e apoiámos financeiramente a criação de 21 protótipos”, referiu Mário Raposo, vice-reitor da Universidade da Beira Interior (UBI), entidade que lidera o projeto INESPO III (Innovation Network Spain-Portugal).

O responsável falava à margem da final do CEBT Ibérico – Curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica, uma ação que está enquadrada no INESPO e que decorreu esta quarta-feira naquela instituição de ensino superior, sediada na Covilhã, distrito de Castelo Branco. O INESPO III é desenvolvido no âmbito do Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e tem um orçamento de cerca de 720 mil euros.

Durante a sessão foram apresentadas algumas das ideias de negócio que têm sido delineadas no âmbito do projeto, uma das quais visa o desenvolvimento de bebidas lácteas que permitam aproveitar o soro do leite e reduzir o seu desperdício. A criação de um sistema modular com materiais reciclados para fazer superfícies ajardinadas, bem como a produção de um carrinho inovador de transporte de objetos têxteis (fatos, camisas e outros) foram outras das propostas apresentadas. Junta-se-lhes ainda o projeto vencedor, que consiste numa solução tecnológica para produzir baterias à base de oxigénio que tenham maior rendimento e menor dimensão.

As ideias nasceram em ambiente universitário e podem vir a passar para o mercado, cumprindo assim os objetivos do INESPO III, que passam pela valorização do conhecimento nas universidades e pela transferência desse conhecimento para empresas e entidades. “Estamos a falar de um projeto que pode funcionar como um ‘empurrão’ inicial para que pequenas ideias possam chegar a coisas muito concretas e com valor de mercado”, salientou Mário Raposo.

O INESPO III, referiu, engloba a realização de ações que explicam aos investigadores como transformar ideias em projetos, outras que visam valorizar as competências empreendedoras dos investigadores e outras que pretendem ensinar a reduzir os riscos empresariais.“Este é um projeto de boas práticas porque nos permite a cooperação internacional entre universidades e confederações empresariais e também porque permite a ligação das universidades às empresas, dando mais valor e levando a investigação para fora das instituições”, acrescentou.

Mário Raposo mostrou-se ainda confiante em que algumas destas ideias possam vir a resultar na criação de “spin-off” ou em produtos de mercado, à semelhança do que aconteceu nas duas primeiras edições deste projeto transfronteiriço. Além da UBI, fazem parte deste consórcio as universidades de Coimbra e de Aveiro e, do lado espanhol, as universidades de Salamanca, de Valladolid, de León e Pontifícia.

A Câmara de Comércio e Indústria do Centro (CEC/CCIC) e a Confederación de Organizaciones Empresariales de Castilla y León (CECALE) também integram a parceria.

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