Francisca Van Dunem

David Justino acusa ministra da Justiça de agir em interesse próprio. Van Dunem responde: É uma “infâmia”

1.002

O social-democrata considera que Francisca Van Dunem "esteve a negociar quanto vai receber quando sair do Governo". Ministério da Justiça fala na "morte da decência" e acusa Justino de "calúnia".

David Justino foi Ministro da Educação de Durão Barroso em 2002

Rafael Antunes/Observador

Em entrevista à TSF, o social-democrata David Justino criticou a escolha da Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, para negociar o aumento do salário dos juízes: “A ministra esteve a negociar quanto é que vai receber quando sair do Governo, qual vai ser o seu ordenado quando integrar os quadros do Supremo Tribunal de Justiça”.

Ex-procuradora-geral adjunta, Francisca Van Dunem foi promovida a juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça em março de 2016 quando já era ministra da Justiça do Governo de António Costa. A situação profissional da ministra leva David Justino a questionar o “interesse próprio” de Francisca Van Dunem investido na eliminação do teto salarial dos juízes (que podem agora ganhar mais do que o primeiro-ministro).

Ao Observador o Ministério da Justiça (MJ) garantiu que Francisca Van Dunem “agiu e agirá neste longo processo como responsável política sem nunca transigir na defesa do interesse público”. A mesma declaração indica que “a proximidade de processos eleitorais não justifica que seja decretada a morte da decência e elevada a infâmia à categoria de virtude“. Fonte oficial do MJ assegura que a “ministra agiu neste longo processo de negociação do Estatuto dos Magistrados Judiciais como responsável política sem nunca transigir na defesa do interesse público”, rematando: “o autor da afirmação está seguramente a julgar outrem à luz dos seus próprios padrões comportamentais. As suas palavras apenas dizem do que seria capaz de fazer se respondesse por uma área política correspondente à sua especialização profissional.”

Logo na TSF, o presidente do Partido Socialista, que participava também no programa “Almoços Grátis”, não viu qualquer validade nas afirmações de David Justino: “Até onde é que vamos chegar nesta demagogia infame de tentar atirar às pessoas labéus que são inconcebíveis? Acho inacreditável“. Carlos César devolveu ainda a dúvida ao social-democrata: “O David Justino quando foi Ministro da Educação esteve proibido de discutir as carreiras dos professores ou as grelha salariais?” Justino justificou que não era professor, mas sim sociólogo.

Ao Observador o Ministério da Justiça disse ainda que David Justino estaria “seguramente a julgar outrem à luz dos seus próprios padrões comportamentais”, sendo as acusações do social-democrata uma indicação “do que seria capaz de fazer se respondesse por uma área política correspondente à sua especialização profissional”.

Carlos César aproveitou para criticar ainda o líder do PSD, cujo “banho de ética” considera um “banho de hipocrisia”: “Rui Rio vem dizer que ninguém deve ganhar mais do que o primeiro-ministro, tirando o chefe de gabinete dele na Câmara Municipal do Porto, que tinha um vencimento acima do Presidente da República e do primeiro-ministro”.

Quando há desacordo e greve, o PSD acusa o Governo de pôr em causa a paz social. Quando há acordo acusa o Governo de ceder a corporativismos“, conclui o socialista.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: nviegas@observador.pt
Saúde

Inovação em Saúde: oito tendências e um caminho

Luís Lopes Pereira

Em Portugal já existem terapêuticas alvo de contratos baseados no valor. Mas a difícil e demorada contratação pública e a dependência do Ministério das Finanças têm limitado a autonomia para inovar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)