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Em 1993, Bonnie Haim foi dada como desaparecida na Florida e, na altura, as autoridades não conseguiram apurar provas suficientes que indicassem que a mulher tinha sido assassinada. Existia apenas um testemunho: o do filho, Aaron, que foi colocado de parte uma vez que, nessa altura, tinha apenas três anos. No entanto, aquilo que afirmava era importante: Aaron dizia que tinha sido o pai, Michael Haim, a matar a mãe.

O próprio avô, pai da vítima, quando confrontado com as afirmações da criança, recusou-se a aceitar que tal seria verdade e que a credibilidade de uma criança requer sempre alguma desconfiança. A história, relatada pelo jornal espanhol El Mundo, detalha que mais tarde, em 2014, já depois de Aaron ter herdado a casa de família, deparou-se com o corpo da mãe num saco de plástico ao fazer escavações no quintal.

Michael Haim foi detido no ano seguinte, em 2015, vinte e dois anos após o crime ter sido cometido. No entanto, só agora é que o pai de Aaron vai ser levado a tribunal para julgamento, cinco anos depois do corpo ter sido encontrado no quintal da casa.  

Bonnie com o marido, Michael Haim, e o filho, Aaron.

Quando Bonnie desapareceu, Michael Haim quis desviar as suspeitas que incidiam sobre si e afirmou que a mulher tinha abandonado a família ao fugir de casa. Ainda assim, houve alguns detalhes que lhe escaparam: quando as autoridades começaram a investigar o desaparecimento de Bonnie, ainda nos anos 90, uma das pistas que detetaram foi a mala da mulher que foi deixada num motel no dia do desaparecimento. Além disso, o carro de Bonnie foi encontrado abandonado no parque de estacionamento de Jacksonville, na Florida, e a distância do banco do condutor ao volante não correspondia à altura da mulher. Para tornar as suspeitas mais evidentes: foi detetada uma pegada de um sapato de homem no tapete do carro. Todas estas pistas serviram também para intensificar um mistério que levou décadas a ser desvendado.

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O julgamento de Michael Haim teve início na segunda-feira. A irmã da vítima, Liz Mahoney, confessa ao El Mundo que este processo significa ”fechar o último capítulo da vida de Bonnie” e que, por isso, vai ser um momento doloroso.