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“Diário não Diário” mostra Cruzeiro Seixas “em toda a sua dimensão criativa”

Aos 98 anos, Cruzeiro Seixas continua "ativo e empenhado". Um novo livro, "Diário não Diário", pretende fazer "um ponto de situação sobre a obra" de um dos percursores do surrealismo em Portugal.

Cruzeiro Seixas completa 99 anos em novembro

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Na segunda-feira, será apresentado na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, o álbum Diário não Diário, que dá a conhecer Cruzeiro Seixas “em toda a sua dimensão criativa”, garantiu à Agência Lusa João Prates, do Centro Português de Serigrafia (CPS), responsável por esta edição. O volume, que pretende assinalar os 98 anos do artista, reúne textos, inéditos, retirados de dois dos seus diários, de 2010 e 2012, fotografias, cartas e outros documentos.

João Prates explicou que a seleção foi feita “juntamente” com Cruzeiro Seixas. “Aliás, ele esteve presente em todos os passos”, afirmou à Agência Lusa. “Dessa seleção fez-se um corpo de um único livro, de cerca de 200 páginas, Diário não Diário“, que tem um forte componente visual, mas tem também os seus pensamentos, aforismos, reproduções de pinturas, desenhos, colagens, objetos, capas de livros pintadas, autorretratos, convites, cartazes, há um conjunto de informação e de um processo de diário, no que isso significa, de alguma intimidade.”

Prates realçou os textos inéditos que o álbum inclui, assim como as várias citações sobre a sua obra, desde logo de “alguns dos seus mais próximos, como Mário Cesariny e António Maria Lisboa”, mas também todas as suas influências como Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, André Breton, Antoine Artaud, “assim como alguns referentes da nossa cultura como Camões ou a Mariana Alcoforado, por quem ele tem um carinho especial, o Fernando Pessoa, o Mário de Sá-Carneiro, Teixeira de Pascoaes e, mais recentemente, o Alberto Lacerda”.

A edição “faz um ponto de situação sobre a obra” de Cruzeiro Seixas, “não numa perspetiva de catálogo”, mas “do ponto de vista da sua seleção pessoal das obras, da reprodução das suas próprias obras, enquanto diário e momento de reflexão introspetiva relativamente a toda uma vida”. “Este é um livro que amplia a sua dimensão e que faz jus à questão que ele refere, em que o Surrealismo é mais uma ética de que uma estética, este livro faz parte dessa ética de relações com a literatura, com a poesia essencialmente, mas também com alguma cultura”, afirmou. “Dá a conhecer Cruzeiro Seixas em toda a sua dimensão criativa”, um artista que continua “ativo e empenhado”.

“Ele tem sempre uma ideia de futuro, está sempre a pensar não no que está feito, mas em tudo no que falta fazer, essa é uma das razões da sua grande longevidade. É sempre o seu espírito, a sua imaginação, a capacidade criativa, ultrapassam seguramente essa idade e tornam-no um jovem no sentido de projeção no futuro”, afirmou João Prates.

Artur Cruzeiro Seixas, natural da Amadora, nos arredores de Lisboa, completa em dezembro 99 anos e “continua um apaixonado pela vida, e está sempre disponível para algumas viagens”. Visitou, recentemente, o Museu Picasso, em Paris, foi ver uma exposição a Palma de Maiorca, visitou o convento de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, ou o Palácio dos Marqueses de Fronteira, em Lisboa.

Um dos precursores do movimento Surrealista português, ao lado de Mário Cesariny, Carlos Calvet ou António Maria Lisboa, é autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objetos/escultura. O artista está representado nas coleções do Museu do Chiado/Arte Contemporânea, Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca de Tomar, Fundação Cupertino de Miranda, Museu Machado de Castro, em Coimbra, Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, entre outros.

Diário não Diário, “um excecional álbum”, vai ser apresentado na segunda-feira, às 18h, na Biblioteca Nacional, na presença do autor, por Maria João Fernandes, da Associação Internacional de Críticos de Arte, e por António Cândido Franco, professor da Universidade de Évora.

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