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Em 32 anos a humanidade engordou 6kg. Habitantes de meios rurais foram os que mais engordaram

Em 1985, os habitantes de meios rurais tinham menos peso do que os citadinos. Com o tempo, a tendência inverteu-se. Um estudo mostra que as zonas com maior acesso a fast-food não são as mais obesas.

Os cientistas analisaram 112 milhões de adultos em mais de 200 países

Rostislav_Sedlacek/Getty Images/iStockphoto

Em 32 anos, a humanidade engordou em média 6 quilogramas e foram os habitantes das zonas rurais os que ganharam mais peso, conclui um estudo publicado na revista Nature, que se baseou na análise do IMC de 112 milhões de adultos, em mais de 200 países e territórios de todo o mundo.

“O índice de massa corporal (IMC) tem aumentado significativamente na maioria dos países, em paralelo com um crescimento da população que vive em cidades”, começa por referir o estudo realizado entre 1985 e 2017.

Segundo os dados revelados, e ao contrário do que seria de esperar, não são as pessoas que vivem em meios urbanos quem mais engordou nas últimas três décadas. Os cientistas desmentem assim a ideia de que as populações citadinas são as que têm maior propensão para a obesidade devido ao fácil acesso a fast-food (comida de plástico).

O estudo mostrou que são os habitantes das zonas rurais, mais especificamente as mulheres, que pesam mais do que quem mora na cidade. Tal é justificado por haver melhores condições económicas nos meios rurais. Já as populações urbanas têm maior acesso a alimentos saudáveis e estão mais despertas para a prática do exercício físico.

“De 1985 a 2017, a proporção da população mundial que vive em áreas urbanas cresceu de 41% para 55%”, refere o estudo. Neste período, o IMC médio das mulheres aumentou de 22,6 kg/m2 para 24,7 kg/m2. Nos homens, aumentou de 22,2 kg/m2 para 24,4 kg/m2. Em ambos os sexos, o IMC médio era superior ao dos habitantes de zonas rurais.

Com o tempo, a diferença diminuiu e, em 2017, as mulheres que habitavam em zonas rurais já tinham um IMC médio superior ao dos habitantes das cidades. Esta inversão foi concretamente verificada em países como Arménia, Chile, Jamaica, Jordânia, Malásia, Taiwan e Turquia.

Quando os cientistas deram início à análise, em 1985, os habitantes de zonas rurais tinham menos peso. “Estas pessoas gastavam mais energia pois praticavam atividades como agricultura, atividades domésticas e recolha de água e madeira”, diz o estudo. Com o tempo, a agricultura tornou-se cada vez mais mecanizada, o que permitiu diminuir a energia humana despendida. Os salários também aumentaram, em países desenvolvidos, e foram desenvolvidas mais estradas e outras infraestruturas. Todos estes fatores contribuíram para o aumento do peso das populações rurais. Os peritos falam em “urbanização da zona rural”.

Em 2017, Suécia, República Checa, Irlanda, Austrália, Áustria e Estados Unidos da América registaram o IMC médio mais alto em zonas rurais. “Há uma necessidade urgente para integrar a nutrição nas zonas rurais”, conclui o estudo, que salienta também a necessidade de garantir o acesso de comida saudável a habitantes de zonas rurais pobres.

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