Professores

Rui Rio insiste que não recuou. E acusa: “Primeiro-ministro tem défice de sentido de Estado”

340

Rui Rio insiste que PSD votou sempre da mesma forma em relação aos professores. Culpa Costa por ter propagado uma mentira e por tê-lo feito apenas porque a campanha eleitoral não estava a correr bem.

FERNANDO VELUDO/LUSA

A crise política pré-anunciada já morreu, António Costa já enterrou o machado de guerra, mas Rui Rio ainda quis pôr os pontos nos is. Numa declaração aos jornalistas a partir do Porto, o líder do PSD quis mais uma vez “deixar claro” que “o voto do PSD esta tarde foi totalmente coerente com o que sempre defendeu”, assim como foi coerente com “a matriz social-democratas” e com o perfil do próprio Rui Rio. “Para o PSD e para mim próprio, o equilíbrio financeiro é inegociável. Em todas as instituições pelas quais fui responsável, deixei sempre essas instituições em situação muito melhor”, disse.

O argumento de Rui Rio é este: o PSD sempre defendeu que queria o reconhecimento integral do tempo de serviço, por um lado, e, por outro, sempre defendeu que esse reconhecimento devia ser “acompanhado de uma cláusula de salvaguarda financeira que garantisse o equilíbrio das finanças”. “Na votação na especialidade votámos dessa forma, e hoje no plenário votámos dessa forma”, disse, sublinhando que o único momento em que o documento foi de facto a votação foi esta tarde no plenário. Acontece que, com esta afirmação, Rui Rio desvaloriza o facto de o trabalho parlamentar consistir em duas fases, onde há efetivamente votações: na especialidade, primeiro, os deputados votaram os vários artigos que compõem a proposta, tendo daí resultado um texto comum (que inclui a contagem integral do tempo de serviço, mas não inclui as cláusulas de responsabilidade financeira) que foi hoje votado na íntegra no plenário. Por isso o PSD votou a favor, na especialidade, do artigo sobre a contagem integral do tempo e, esta sexta-feira, na votação final, tenha votado contra esse mesmo artigo por não vir articulado com a cláusula de responsabilidade financeira.

Ainda questionado sobre o papel da deputada do PSD, Margarida Mano, que negociou o diploma na comissão e votou na especialidade, Rui Rio desvalorizou o papel dos deputados: “Não é a dra. Margarida Mano que define o sentido de votação do PSD. Quem define o sentido da votação é a direção do grupo parlamentar e, muitas vezes, a direção do partido, que estão em completa consonância”, disse.

Ainda assim, e admitindo que os termos são técnicos e de difícil perceção para quem não domina a linguagem parlamentar, Rui Rio insiste que não houve da parte do PSD nenhuma votação diferente e culpa o primeiro-ministro da desinformação. “O primeiro-ministro foi secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, depois foi ministro dos Assuntos Parlamentares, portanto conhece o processo legislativo como ninguém, e mesmo assim veio hoje dizer uma coisa que sabe que é mentira. Ele sabe que isto não é verdade”, disse.

Costa com défice de sentido de Estado e PS a pôr a família à frente de Portugal

Depois de explicar a ideia de que não houve recuo nem votação diferente da parte do PSD, Rui Rio partiu ao ataque a António Costa: “tem um défice de sentido de Estado”. “Um primeiro-ministro tem de ser um estadista, tem de ser o garante da estabilidade e não da instabilidade”, afirmou, caracterizando esta crise política como uma “derrota da responsabilidade” e “mais uma machadada da política nacional”.

Resumindo, Rui Rio diz que o PS pôs os seus interesses à frente dos interesses do país e apenas por motivos eleitorais. “As verdadeiras razões foi para perturbar a campanha eleitoral das Europeias, que estavam a correr particularmente mal ao PS”, disse, afirmando que o lema do PS deve ser: “primeiro a família, depois o PS, depois Portugal”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rdinis@observador.pt
Educação

Despedir os professores todos

João Pires da Cruz
887

A minha proposta é despedir os professores todos e entregá-los a Bruxelas. A escolha dos professores e a sua gestão deve ser feita pelas escolas; o pagamento dos seus salários deve vir de Bruxelas.

Escolas

Como travar o Processo de Elitização em Curso?

Rodrigo Queiroz e Melo
119

O atual sistema prejudica fortemente e condiciona a mobilidade socioeconómica. A maior das ironias é que tenha sido a atual solução governativa a causadora de tamanha desigualdade. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)