O presidente da APROPESCA mostrou-se de acordo com a proibição da pesca de sardinha pequena em algumas zonas do país, mas criticou a redução da quota global da captura da espécie.

Segundo um despacho publicado em Diário da República, o início da pesca da sardinha foi adiado para 3 de junho, e além da descida de quota anual de 12 mil para 10.799 toneladas, ficou determinada a proibição de captura de sardinha pequena, mas com tamanho comercial admissível, entre o norte de Aveiro e o sul da Figueira da Foz, na zona norte e centro do país, e entre Cacela e Vila Real de Santo António, no Algarve.

“Há zonas onde foram detetados muitos juvenis, e compreendemos que é preciso proteger essa sardinha pequena, mas a descida da quota é muito complicada para o setor. Temos feito tantos sacrifícios que já não podemos ceder mais. Quase que mais vale parar as embarcações”, disse à Agência Lusa Carlos Cruz.

O líder da Organização de Produtores da Pesca Artesanal esperava que a quota mantivesse os números de 2018 [12 mil toneladas], garantindo que “o setor tem feito tantas cedências que está agora no limite da sobrevivência”.

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“O ano passado podíamos trazer 176 cabazes para terra, mas este ano só nos deixam 140. Isso não é viável para as embarcações. Nós, mais do que ninguém, queremos defender a espécie, mas conhecemos bem o mar e sabemos que há muita sardinha”, acrescentou Carlos Cruz.

O dirigente partilhou que uma das formas com que os pescadores têm compensado as limitações da captura da sardinha é a pesca do biqueirão, uma espécie muito utilizado na indústria das conserveiras, que abunda nas águas portuguesas em quantidade e qualidade, e que tem forte interesse económico em Espanha.

No entanto, também a captura do biqueirão está proibida, para renovação dos stocks, até ao mês de julho, adiando a rentabilidade das embarcações e causando um problema logístico e legal durante o mês de junho.

“Agora em junho, quando largarmos as redes para a sardinha, é provável que possamos apanhar algum biqueirão, mas a lei não permite essa mistura, e as autoridades podem atuar se a detetarem. Pedimos, nesta fase, que nos deixassem uma percentagem de 5 a 10 por cento de biqueirão nos cabazes de sardinha, mas até agora não tivemos resposta”, partilhou o líder da APROPESCA.

O decreto de lei publicado fixa, ainda, que a frota nacional só poderá pescar 5.000 toneladas de sardinha entre 3 de junho e 31 de julho.

As embarcações deixam de poder descarregar em mais do que um porto durante um período de 24 horas e não podem transferir a sardinha para uma lota diferente da correspondente ao porto de descarga.