Cuidado: está quente

Monkey Mash. Entre sapos e macacos há muito cocktail tropical pelo meio

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Os donos do já famoso bar de cocktails Red Frog, em Lisboa, compraram o antigo Fontória e nele inauguraram um novo projeto onde impera a descontração e as bebidas mais relaxadas. Conheça-o.

Todo o espaço do novo Monkey Mash foi decorado pelos proprietários e até há uma parede de AKA Corleone

Diogo Lopes/Observador

O que interessa saber

Nome: Monkey Mash
Abriu em: Abril de 2019
Onde fica: Praça Alegria, 66A, Lisboa
O que é: O novo projeto “mais descontraído” dos autores do Red Frog
Quem manda: Emanuel Minez e Paulo Gomes
Quanto custa: Preço médio à volta dos 12€ por pessoa
Uma dica: Passou os olhos pela extensa lista de cocktails e não encontrou nada que o agradasse? Sem problemas, Paulo é o primeiro a garantir que servem qualquer bebida que o cliente pedir, podendo até sugerir um ou outro retoque que torne o seu pedido ainda mais interessante
Contacto: 211 364 241
Horário: De segunda a quinta-feira, das 18h às 2h (sexta e sábado fecha às 3h) 
Links Importantes: FacebookSite

A História

Por esta altura é muito provável que já tenha ouvido falar do Red Frog, aquele que será um dos mais prestigiados bares de cocktails do país — pelo menos é o único que já fez parte da listagem The World’s 50 Best Bars, valha lá isso o que valer. De qualquer forma, mais prémio, menos prémio, a verdade é que este espaço na zona da Avenida da Liberda, em Lisboa, é um verdadeiro caso de sucesso e uma casa onde pode encontrar drinks de alta qualidade e com uma forte componente criativa. Ora são precisamente os mesmos criadores deste “Red”, como os mais próximos lhe chamam, que estão por trás do novo Monkey Mash.

Emanuel Minez e Paulo Gomes explicam que o sucesso da “casa-mãe” foi meio caminho andado para nascer esta nova aventura: “Ultimamente temos tido muita fila à porta do Red porque já não temos mais espaço para aceitar mais clientes. Às vezes as pessoas até têm de ficar à chuva e queríamos evitar isso”, conta Emanuel. Nas palavras do mesmo, “não há nada ali à volta” no “mesmo estilo do Red” que eles pudesse recomendar e isso cimentou ainda mais a vontade que já tinham de ter abrir outro espaço. “Um dia”, explica Paulo, uma rapariga que tinha trabalhado com eles decide “mudar de carreira” e apostar na área do imobiliário”. Meio a brincar meio a sério, decidem pedir-lhe se conseguia encontrar um espaço para eles, ali na zona, e é então que surge a possibilidade do mítico Fontória, que fica uma ruas abaixo, perto da Praça da Alegria. Falaram com o proprietário dessa casa que na altura já contava com quase 60 anos de funcionamento e ele mostrou-se interessado em vender.

O balcão do Monkey Mash é o centro das atenções. ©Diogo Lopes/Observador

“No total tivemos dois anos para fechar este negócio: um para encontrar o espaço ideal e outro para negociar a venda”, explica Paulo reforçando a ideia que Minez já tinha revelado: esta foi uma compra difícil, cheia de avanços e recuos mas que agora já está a funcionar a todo o gás. O Red Frog continua a ser o “primogénito perfeito” mas este Monkey Mash abre portas novas. Por muito que necessite nestes primeiros dias de mais atenção, a casa do sapo encarnado não será posta em segundo plano. “O Red atingiu os 18 anos, já se safa sozinho mas, como todos os miúdos desta idade, tem de ter sempre o pai a dar orientação”, conta Paulo, entre sorrisos.

O Espaço

Esqueça completamente aquilo que conhecia do Fontória — caso não o conhecesse de todo, imagine um ambiente tipo Saturday Night Fever em modo filme série B: O Monkey Mash nem parece morar nas mesmas quatro paredes onde outrora esta boite já viveu. Mas conquistar isto também não foi muito simples.

“Começámos com o problema disto [Monkey Mash] ser outra cave. Nesta até se descia mais! Por isso mesmo quisemos logo anular ao máximo esta sensação para não deixar que as pessoas sentissem que estavam debaixo da terra”, começa Emanuel por explicar. Tudo isto na prática passou por uma extensa remodelação que começou logo na zona das escada, logo que se passa a porta de entrada. Se antigamente dominava o preto e brilhante com uma assustadora fonte a servir de vão de escada, agora existem cores vivas e jardins verticais que nos levam ao bar propriamente dito, uma área espaçosa, com madeiras de cor clara, sofás em tons neutros, novo jardim vertical (desta vez em cima do extenso balcão do bar), uma parede espelhada (talvez a única coisa que sobreviveu do velhinho Fontória) e outra onde brilha um mural do ilustrador AKA Corleone — cuja história merece ser contada. “Esta parede esteve cor-de-rosa até dias antes da abertura”, conta Paulo. O que mudou? O barman e sócio do projeto continua, revelando que conheceu o street artist num evento em Itália e soube que ele estava a pensar fazer um mural indoor. “Mal soube disso lancei-lhe o desafio e ele aceitou de bom grado, de tal forma que até fez os nossos menus”, revela.

O “street artist” AKA Corleone fez um mural numa das paredes do Monkey Mash. ©Diogo Lopes/Observador

No geral, a ideia que Paulo e Emanuel tinham para este segundo projeto de cocktails era fazer algo totalmente diferente do Red, “algo que ficasse no extremo oposto”, fosse “mais descontraído, mais festa”, e conseguiram totalmente. Tudo graças ao trabalho dos dois, algo que Emanuel diz ser sempre assim: “Não trabalhamos com decoradores, tudo o que está aqui são ideias nossas. É sempre assim em todos os nossos projetos”, clama. Olhando para este produto terminado ninguém dirá que toda a decoração foi definida sem ajuda de profissionais — sem qualquer desprestígio para o bom gosto dos dois responsáveis, claro. O empenho de ambos nesta tarefa foi tal que Emanuel, por exemplo, revelou ter “uma garagem cheia de mobiliário” como as “50 e tal cadeiras que era suposto” terem sido usadas aqui mas que depois perceberam “que afinal não ficavam bem”. Ou seja, o que aqui mora não está lá por acaso.

Outra curiosidade desta casa é a sala privada, que fica meio escondida no fim da escadaria de acesso ao bar, e que poderá vir a ser um autêntico canivete suíço: “Dá para eventos privados, festas de aniversários, workshops, ações com marcas…. Muita coisa”, afirma Emanuel. Com capacidade para 12 pessoa (“apertadinhas”), este espaço que só tem uma casa de banho, uma mesa alta com uma banca de trabalho e um enorme laboratório de investigação e desenvolvimento, pode pertencer a quem o requisitar, mediante reserva.

A Comida (ou melhor, a bebida)

Não é segredo nenhum que este Monkey Mash pretende ser mais festivo e descontraído. Para garantir isso mesmo muita coisa foi ajustada no menu que têm em vigor agora e cuja primeira diferença em relação ao do Red Frog vê-se logo no facto da sua validade ser anual e não mudar consoante as estações. De forma curta e objetiva, Paulo afirma que a grande base das bebidas aqui servidas são “a cana e o agave”, ou seja, destilados como a cachaça, o rum, o pisco, a tequila, o mezcal e entre outros — há também uma aposta em “bebidas exóticas”, como descrevem os dois responsáveis, dando como exemplo “uísques da Índia ou China”.

Tudo isto traduz-se num conjunto total de 24 bebidas que se divide em quatro categorias principais, distinguidas pelas cores e imagens utilizadas pelo tal AKA Corleone: amarelos e verdes para opções mais cítricas, rosa e laranja para outras mais doces, castanho e verde escuro para soluções condimentadas e roxo com azul para combinações mais intensas. Para ter uma ideia, na primeira categoria pode encontrar “Horchata Sour” (9,50€), que leva rum, chá chai, arrack (destilado típico da Índia e do Sri Lanka) e horchata de caju; na segunda tem o “Batucada no Leblon” (9€), que mistura cachaça com pisco, morangos, bagas goji e folha de figueira; em terceiro tem, por exemplo, o “Pink Punk” (9,50€), que leva tequila, mezcal, toranja e pimentos; ou, finalmente, o “King Kong Club” (10€), que tem rum, “golden milk”, vinho de banana e cacau.

No meio desta misturada toda existem 16 cocktails originais, entre eles alguns “highballs” (bebida simples, muito popular no Japão, onde se mistura algum tipo de bebida gaseificada com um destilado, tudo num copo alto), bem como quatro “modern mashes”, ou seja, criações inspiradas em clássicos da coquetelaria mas revigorados com um twist diferenciador, como é o caso do “daiquiri sem sumo de limão ou o mojito que não tem menta mas sabe a menta”, revela Paulo. Se no meio desta oferta toda acabar por ficar baralhado pode sempre seguir-se pelas indicações que já no menu do Red Frog também aparecem: todos os cocktails aparecem na carta com a indicação de teor alcoólico, tamanho e características de sabor principais.

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos restaurantes (e bares, já agora).

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