Primeira Liga NOS

O clássico que serviu para Danilo ficar com a braçadeira de Herrera (a crónica do FC Porto-Sporting)

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O clássico não se jogou, sentiu-se. E o que uns têm a mais, outros quase não têm: FC Porto vence Sporting com reviravolta (2-1) no jogo em que Danilo agarrou na equipa para um triunfo só pelo orgulho.

Danilo conseguiu furar a resistência de Renan Ribeiro no último quarto de hora e FC Porto conseguiu a reviravolta no clássico

AFP/Getty Images

Até ao último quarto de hora deste encontro que rapidamente se transformou num clássico dos dois primeiros entre os últimos do Campeonato, esta crónica deveria ser dedicada a dois jogadores e do Sporting: André Pinto e Petrovic. Depois, tudo mudou. Nem por isso o central ou o médio defensivo perderam protagonismo mas passaram num curto lapso de tempo de quase heróis para vilões pela forma como os leões consentiram dois golos quase iguais de bola parada no coração da área. Heróis, esses, foram os do costume. E no final de uma vitória do FC Porto apenas pelo orgulho face ao suceder de golos do Benfica na Luz frente ao Santa Clara, Danilo mostrou em campo para quem irá a braçadeira de Herrera na próxima época.

O Benfica ganhou o Campeonato. E ganhou porque fez uma segunda volta fabulosa, a melhor de sempre do clube com 16 triunfos e um empate em casa com o Belenenses SAD. No entanto, esta foi a época em que o FC Porto perdeu o Campeonato. E perdeu porque teve sete pontos de avanço, foi cedendo empates nas deslocações ao Minho e perdeu em casa o jogo chave contra os encarnados. No início da segunda parte, a enorme tarja erguida pelos Super Dragões colocou a claque pelo mesmo diapasão da entrevista de Pinto da Costa durante a semana ao jornal O Jogo, apontando a mira aos árbitros. Entre erros que existiram (e vão sempre existir) ao longo da prova, também houve erros próprios dos azuis e brancos. Erros que voltaram a acontecer no clássico.

Depois de um início onde as atenções pareciam estar mais centradas no que estava a acontecer na Luz, com o Sporting a ter mais bola mas o jogo a andar sempre longe das balizas, a expulsão de Borja por falta sobre Corona num lance onde Bruno Gaspar faz um passe disparatado para trás acabou por mudar por completo o cariz da partida: da parte dos leões, nem um remate à baliza até ao intervalo e muito menos capacidade para fazer aproximações à baliza de Vaná; do lado dos dragões, domínio completo com posse, algumas oportunidades que tiveram quase sempre Marega como protagonista (que chegou a marcar mas foi anulado) mas dificuldades no último terço quase como se ansiedade fosse um adversário tão ou mais forte do que os lisboetas.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Sporting em vídeo]

Ficha de jogo

FC Porto-Sporting, 2-1

34.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)

FC Porto: Vaná; Éder Militão, Felipe, Pepe (Wilson Manafá, 46′), Alex Telles (Aboubakar, 75′); Danilo, Herrera; Corona, Otávio (Brahimi, 46′), Marega e Soares

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Maxi Pereira, Óliver Torres e Fernando Andrade

Treinador: Sérgio Conceição

Sporting: Renan Ribeiro; Bruno Gaspar (Tiago Ilori, 64′), André Pinto, Mathieu, Borja; Petrovic, Gudelj; Diaby, Bruno Fernandes (Wendel, 88′), Acuña e Luiz Phellype (Bas Dost, 67′)

Suplentes não utilizados: Salin, Jefferson, Raphinha e Jovane Cabral

Treinador: Marcel Keizer

Golos: Luiz Phellype (61′), Danilo (77′) e Herrera (87′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Gudelj (42′), Marega (49′), Bruno Fernandes (49′), Felipe (73′), Danilo (85′), Corona (89′), Acuña (90+1′) e Petrovic (90+1′); cartão vermelho direto a Borja (17′) e Corona (90′)

Essa é uma das marcas do FC Porto de Sérgio Conceição, para o bom e para o mau: o ascendente da parte emocional em cada momento do jogo dos azuis e brancos. O que ajuda para a equipa crescer e encostar os adversários quando está atrás mas que, em paralelo, também pode prejudicar no discernimento sobretudo na fase de construção ofensiva. Era assim que estavam os dragões depois da “festa” feita no Dragão com uma enorme tarja dos Super Dragões onde colocavam como campeões nacionais árbitros, observadores, empresários e até o primeiro-ministro António Costa. E pior ficaram quando o Sporting, na única oportunidade que teve, inaugurou o marcador num contra-ataque com assistência de Acuña para Luiz Phellype.

Renan, em tarde/noite inspirada, foi conseguindo evitar com grandes defesas o empate mas os visitantes iam conseguindo jogar da melhor forma com a ansiedade bem visível nos dragões, algumas vezes com as pernas a falharem pela emoção que tomava conta da razão. Foi aí que apareceu Danilo – com um remate à trave, com sucessivas correções e mensagens de incentivo aos companheiros, com pedidos para as bancadas empurrarem a equipa para a reviravolta e com o golo do empate, na sequência de um canto no lado direito da defesa onde Mathieu saltou antes de tempo à bola e Soares assistiu o médio.

Com Aboubakar em campo a alargar um ataque que tinha ainda Marega, Soares e Brahimi, o Sporting teve mais dificuldades em travar o último forcing dos portistas, Renan foi segurando a equipa mas os visitados conseguiram mesmo chegar à (justa) vantagem após mais um canto tirado quase a papel químico do primeiro, agora com André Pinto a falhar e Herrera a marcar com um pontapé acrobático perante um Petrovic que pareceu ceder ao desgaste físico de quem não jogava há muito tempo. A expulsão de Corona no final, num lance de grande confusão em cima do minuto 90, acabou por ser o ponto negativo do triunfo mas percebeu-se que a “panela de pressão” em que estava transformado o Dragão esvaziou e transformou-se em reconhecimento aos jogadores depois do 2-1. Danilo, esse, mostrou que é um líder. Agora sem braçadeira, a breve prazo com braçadeira. Segue-se a Taça de Portugal e o rescaldo final de uma temporada que está dependente de como acabar a final.

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