São várias as empresas onde os anestesistas recebem quase o dobro do estipulado por lei, noticia o Diário de Notícias, numa altura em que a greve no Hospital Amadora-Sintra, iniciada esta segunda-feira, vem alertar para a falta destes profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Num caso referido pelo jornal, uma empresa recebeu, no ano passado, quase 500 mil euros em prestações de serviço no Centro Hospitalar do Médio Tejo. O anestesista em causa chegou a ganhar 42,21 euros por hora, quando o despacho publicado em 2018 no Diário da República estabelece que os médicos prestadores de serviço devem receber 22 euros e os especializados 26. Apenas em casos excecionais, e de forma temporária, o valor pode chegar, no máximo, aos 39 euros.

Contactado pelo Diário de Notícias, o Ministério da Saúde admitiu que têm sido autorizados regimes especiais que ultrapassam o imposto por lei “em zonas de reconhecida carência de recursos humanos”. O Ministério garantiu, no entanto, que “o recurso ao pagamento de médicos em prestação de serviço tem sido uma opção em última instância, a que se tem recorrido para garantir a prestação de cuidados de saúde com qualidade a todos os portugueses”.

Os médicos anestesistas do Hospital Amadora-Sintra começam esta segunda-feira uma greve de cinco dias para exigir a contratação de mais especialistas e condições de segurança clínica. Há vários anos que os anestesistas deste hospital chamam “a atenção para a séria e grave limitação de anestesistas por excesso de trabalho sem qualquer tipo de resposta por parte do Ministério da Saúde ou mesmo do Conselho de Administração” do hospital, disse à Agência Lusa o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Roque da Cunha, que convocou a paralisação.

De acordo com dados adiantados ao Diário de Notícias pela Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, faltam 541 anestesistas no SNS.