Começou por lembrar o 18 de janeiro de 1934, dia da revolta dos operários vidreiros que acabou reprimida por um Estado Novo que dava os primeiros passos, mas foi outro marco da história da Marinha Grande que ocupou a maior parte do discurso de João Ferreira naquela cidade esta noite: o incêndio do Pinhal de Leiria, a “joia da coroa” do concelho, que ardeu em 80% em outubro de 2017.

O cabeça-de-lista da CDU às europeias encerrou um dia passado na região centro do país (que incluiu passagens por Peniche e Coimbra) com um comício na Marinha Grande, perante duas centenas de apoiantes da coligação, dedicado às florestas — do qual não ficaram de fora ataques ao PS e à direita, em especial a Assunção Cristas e ao seu período enquanto ministra da Agricultura.

João Ferreira sublinhou que, “quando em 2017 o povo da Marinha Grande viu arder essa joia da coroa”, os eurodeputados da CDU estiveram no Parlamento Europeu “a questionar” as políticas europeias no âmbito florestal. O candidato da coligação acrescentou que já antes os eurodeputados da CDU haviam questionado “a medida da ministra Assunção Cristas que foi tirar dinheiro do PRODER” destinado às florestas, e afirmou que é preciso “muita falta de vergonha” para PSD e CDS reclamarem das taxas de execução do Portugal 2020.

Repetindo algumas das ideias que já tinha vincado em Serpa num comício dedicado às questões da agricultura, João Ferreira disse que “a Política Agrícola Comum canalizou apoios para o grande agronegócio” e “destruiu explorações agrícolas”, deixando em Portugal “700 mil hectares de área agrícola útil como pasto para os incêndios”.

“Denunciámos a redução até um mínimo impraticável dos trabalhadores do Pinhal de Leiria”, continuou João Ferreira, considerando que estas políticas são seguidas “a mando da União Europeia”, que “abomina” apoios públicos à agricultura. “Somos nós que sempre defendemos o apoio à pequena e média agricultura” e os “rendimentos justos para os agricultores e produtores florestais”, disse, acrescentando que foi a CDU que propôs medidas para a mobilização de “recursos da União Europeia para o ordenamento florestal”.

Mas, acusou João Ferreira, os votos de PS, PSD e CDS têm impedido mais avanços nesta área. “Bem podem vir agora atirar culpas uns sobre os outros sobre as dificuldades com que se debate a nossa floresta. Todos têm culpa no cartório”, considerou o eurodeputado comunista, assinalando que a culpa dos três partidos é tanto pelo que fizeram como pelo que não fizeram em Bruxelas e em Portugal.

Alterações climáticas. “É tempo de deixar os slogans

Na mesma linha, João Ferreira acusou PS, PSD e CDS de apenas terem preocupações ambientais em tempo eleitoral. “Todos falam de alterações climáticas em tempo de campanha eleitoral”, sublinhou, acrescentando que “é tempo de deixar os slogans e ir às ações concretas”.

O eurodeputado referia-se à diretiva que obriga à diminuição das emissões de gases poluentes, que não inclui atualmente os gases de efeito de estufa, que estão incluídos no mercado do carbono. “Se querem diminuir as emissões de gases poluentes, não façam negócio com elas, incluam-nas na legislação” que determina a redução das emissões, resumiu João Ferreira.

Dirigindo-se em específico aos apoiantes da CDU do distrito de Leiria, João Ferreira afirmou que foram os governos de PS e de PSD e CDS que “desinvestiram na linha do oeste”, encerraram estações e apeadeiros e “desaproveitaram os fundos estruturais que existiam e existem para investir na modernização” daquela linha ferroviária.

Foram esses partidos, continuou João Ferreira, “que lá no Parlamento Europeu preferiram alinhar com os respetivos grupos políticos” em vez de com os interesses nacionais, quando votaram propostas apresentadas pelos deputados do PCP — e que “aprovaram com o seu voto o desvio de verbas da Coesão para o chamado ‘interligar a Europa’, que interessa aos países do centro da Europa”.

A três dias do fim da campanha eleitoral, João Ferreira elogiou as centenas de apoiantes da CDU “que a esta hora estão a pendurar os últimos pendões, a afixar os últimos cartazes, a organizar sessões de esclarecimento”, e apelou aos presentes para que tentassem convencer os seus conhecidos a votar na coligação — sobretudo aqueles “cujo coração bate à esquerda”, que são “patriotas e comprometidos” e que “poderão até já ter votado no PS”.

“Votar PS, PSD e CDS é meio caminho andado para ficar tudo na mesma”, vaticinou, pedindo aos presentes que votassem na opção que “defende os interesses dos portugueses na Europa”.