No último comício da campanha António Costa subiu ao palco para voltar a colocar as legislativas no caminho destas Europeias, dizendo que “só com o PS é possível manter este equilíbrio com determinação, só com o PS é possível manter esta governação no rumo certo”. Num comício na Praça do Município, em Lisboa, o líder socialista esteve ao lado de Pedro Marques no fecho da campanha e ainda ouviu Fernando Medina declarar que “salvar o projeto europeu dificilmente se faz” com os partidos à esquerda do PS.

São dois planos, o nacional e o Europeu, que voltaram a estar nos discursos socialistas nesta campanha. Para lá, António Costa voltou a defender uma frente progressista, desdramatizando uma aproximação aos liberais, ao dizer que “Macron só é o principal adversário para a extrema-direita francesa” e que o presidente francês está na “primeira linha no combate à extrema-direita”. Aliás, Costa voltou a referir tanto Emmanuel Macron como Alexis Tsipras para mostrar a amplitude que defende para a frente que quer construir na Europa.

Quanto à governação nacional, Costa não a deixou fora do discurso, apesar de o palco ser de Europeias. “Não tenham dúvidas, só com o PS é possível manter este equilíbrio com determinação, só com o PS é possível manter esta governação no rumo certo, só com o PS não andaremos a governar à bolina, mas de acordo com s compromissos que assumimos com os portugueses”, disse o socialista.

Antes dele, já Fernando Medina tinha recentrado o discurso, colocando o BE e o PCP (parceiros do PS na governação do país) fora da alçada de compromissos europeus futuros. “Salvar o projeto europeu dificilmente se fará com os partidos que estão à nossa esquerda que são profundamente eurocéticos – não faremos isso com eles – o euroceticismo à esquerda também assenta numa proteção de fronteiras, numa diminuição da solidariedade dos estados a nível europeu”, afirmou o socialista e presidente da Câmara de Lisboa.

Sejamos claro sobre isto: temos muitas convergências com os partidos à nossa esquerda e há uma área em que temos uma grande diferença, essa área chama-se mesmo projeto europeu”, disse Medina.

Para Pedro Marques ficou a dramatização do voto na direita dizendo que “está a dar gasolina aos nacionalistas para acender o fogo desses mesmo nacionalistas”. Por outro lado, também diz que “a Europa não está para aventureirismos irresponsáveis”, recusando estar “com um pé dentro e outro fora”  — que é como nos últimos dias disse ver o PCP e o Bloco de Esquerda.

O cabeça de lista do PS às Europeias ainda fez um balanço da sua campanha que diz não ter cedido “aos ataques pessoais”, apelando ao voto no PS no domingo. Na última fila do comício ainda se gritou”vitória”, depois de António Costa ter falado e de já ter tocado o hino nacional que encerrava a festa socialista, mas Costa ainda voltou ao microfone para aconselhar calma, até porque as eleições são domingo e “é cedo para gritar vitória”. O socialista continua a tentar travar euforias que possam comprometer a afluência às urnas no domingo.