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Corrupção

Apoios políticos no PS em troca de contratos públicos na mira da Operação Teia

Miguel Costa Gomes contratava a empresa de Manuela Couto e, em contrapartida, Joaquim Couto ajudava autarca nas lutas internas do PS e em contactos com o Governo, segundo o Ministério Público.

Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara Municipal de Barcelos, foi um dos quatro detidos no âmbito da "Operação Teia"

LUSA

O Ministério Público (MP) considera que Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara Municipal de Barcelos, utilizou a troca de favores com a mulher do presidente da Câmara de Santo Tirso e o grupo empresarial da qual é líder, W Global Communicaton, para conseguir chegar à presidência da Federação do PS Braga. Segundo o Correio da Manhã, Miguel Costa Gomes contratava a empresa de Manuela Couto e, em contrapartida, o seu marido Joaquim Couto, autarca de Santo Tirso e figura influente no aparelho do PS, ajudava Costa Gomes nas lutas internas do PS e em contactos com o Governo.

O MP acrescenta ainda que Miguel Costa Gomes apenas conseguiu, com a ajuda de Joaquim Couto, chegar à concelhia do PS de Barcelos, numa lista encabeçada pelo ex-deputado Manuel Mota, tendo recuado na candidatura à Federação depois de perceber que seria vencido por Joaquim Barreto. As escutas telefónicas feitas a Manuela Couto mostram esta promiscuidade com o autarca de Barcelos, uma vez que ela era quem lhe fornecia contactos, dava conselhos e conseguia o acesso a figuras políticas e ao seu contacto telefónico.

Segundo o jornal Público, o facto de Manuela Couto ter arranjado o número de telemóvel do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, para o autarca de Barcelos é uma dos exemplos de favores políticos que a empresária terá feito a Miguel Costa Gomes.

Esta quarta-feira, recorde-se, os edis da Câmara de Santo Tirso e Barcelos e o presidente do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto foram detidos por suspeitas de corrupção, tráfico de influências e de participação económica em negócio. No centro desta teia está o casal Joaquim e Manuela Couto, que detém a agência de comunicação. Ambos terão agido em alegado conluio, com Joaquim Couto a utilizar a sua rede de influência no PS para que a empresa da mulher fosse beneficiada nos processos de contratação pública de várias entidades.

Os alegados crimes de corrupção que estão sob investigação não têm por base pagamentos de ‘luvas’ aos decisores políticos, mas sim um suposto esquema de trocas de favores entre o casal Couto e José Maria Laranja Pontes, presidente do IPO do Porto, e Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara de de Barcelos. Estão em causa ‘cunhas’ para empregos em entidades públicas e até um aumento da influência política quer de Costa Gomes quer de Laranja Pontes — serão essas as alegadas contrapartidas que a lei exige para a consumação do crime de corrupção.

Os quatro arguidos começaram a ser ouvidos às 10h desta sexta-feira e serão ouvidos pela seguinte ordem:

  1. Miguel Costa Gomes
  2. Manuela Couto
  3. Laranja Pontes
  4. Joaquim Couto

Todos vão prestar declarações, logo que não é certo que todos sejam ouvidos esta sexta-feira ou que as medidas de coação que serão decretadas pelo juiz de instrução criminal titular dos autos sejam conhecidas esta sexta.

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