O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, criticou os países que apoiam Juan Guaidó e que o reconhecem como Presidente interino da Venezuela, chegando mesmo a perguntar se estes são “malucos”.

“A minha vontade é de perguntar àqueles que apoiam: mas vocês são malucos ou quê? Vocês entendem onde é que isso vai levar?”, disse Vladimir Putin, esta quinta-feira, à margem de um fórum económico em São Petersburgo, realizado durante a visita oficial do Presidente da China, Xi Jinping, à Rússia. A citação foi recolhida pela AFP, que cita agências russas, cujos diretores estiveram reunidos com Vladimir Putin esta quinta-feira.

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“Um homem chega a uma praça, olha para o céu e, perante Deus, declara-se como chefe de governo. Alguma vez isto pode ser normal? Se assim for, então haverá caos em todo o planeta”, disse Vladimir Putin. “Se escolhessem o Presidente dos EUA dessa maneira — ou em qualquer outro lugar —, se no Reino Unido elegessem o primeiro-ministro ou em França escolhessem o Presidente dessa mentira, o que seria?”

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A Rússia, a par da China, é o principal eixo de apoio internacional de Nicolás Maduro e da sua presidência na Venezuela. Ao contrário dos mais de 50 países que reconheceram a legitimidade de Juan Guaidó como presidente interino para convocar eleições presidenciais antecipadas — onde se inclui Portugal, grande parte da UE e os EUA —, a Rússia e a China continuam a prestar apoio à Venezuela de Nicolás Maduro.

Apesar de ter dito que Juan Guaidó é “boa pessoa”, mas acrescentou que “a crise na Venezuela deve ser resolvida pelo povo venezuelano”.

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Esta quinta-feira, Vladimir Putin reagiu às notícias publicadas nos media norte-americanos e veiculadas por Donald Trump, que davam conta de uma retirada de técnicos militares russos da Venezuela, onde estariam a dar apoio ao regime de Nicolás Maduro. Vladimir Putin garantiu que essa notícia não se confirma, indicando que a Rússia vai manter as suas obrigações de cooperação militar e técnica. Porém, acrescentou que a Rússia não vai “criar qualquer base nem enviar tropas para lá”.

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