O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é devoto do guru espiritual Sathya Sai Baba e consulta frequentemente um bruxo para conhecer o seu futuro, escreve o jornalista venezuelano David Placer num livro recentemente publicado e disponível na Amazon.

No livro El dictador y sus demonios: La secta de Nicolás Maduro que secuestró a Venezuela Placer relata como, oito anos antes de assumir a presidência da Venezuela (em 2013), Maduro e outros altos dirigentes do chavismo visitaram Sai Baba na Índia.

“Oito anos antes de alcançar a presidência, Nicolás Maduro foi conhecer um homem que dizia ser Deus. Maduro, de mão dada com a sua mulher, a supersticiosa Cilia Flores, queria tocar as portas do céu, mas acabou por construir na Venezuela o pior dos infernos”, lê-se na sinopse do livro.

De acordo com um excerto publicado pelo jornal espanhol El Confidencial, a viagem de Maduro à Índia para conhecer Sai Baba foi organizada ao mais alto nível pelo governo venezuelano, contando com a intervenção do embaixador venezuelano na Índia, Walter Márquez.

“Maduro foi fazer turismo religioso com a sua mulher, Cilia Flores, a Puttaparthi, porque queriam conhecer Sai Baba em pessoa. Não sei se [Maduro] é espiritual, porque nunca falei com ele sobre esses assuntos, mas com Cilia Flores sim. Saudávamo-nos com as mãos juntas, com uma ligeira inclinação de cabeça, e pronunciávamos um ‘namasté’ ou ‘namaskar’. Creio que ela foi uma das primeiras que falou a Maduro de Sai Baba. Estou certo de que ele não sabia quem era Sai Baba antes de conhecer Cilia”, contou Walter Márquez ao jornalista, de acordo com a transcrição publicada no livro.

Sai Baba foi um líder espiritual indiano que criou um importante movimento religioso no século XX ao proclamar uma doutrina eclética, promovendo a prática religiosa independentemente da confissão. Adorado tanto por muçulmanos como por hindus, Sai Baba cativou milhões de pessoas em todo o mundo, que se deslocavam à sua aldeia natal em peregrinação — e ainda hoje é uma referência religiosa: mesmo depois da morte, em 2011, ainda existem centros Sai Baba em 114 países do mundo. Maduro foi um dos muitos que o visitaram e beijaram os pés, como mostra uma fotografia divulgada juntamente com o livro.

Sai Baba durante a inauguração de um centro Sai (TEKEE TANWAR/AFP/Getty Images)

Maduro achava que tinha uma ligação especial a Sai Baba, o dia 23 de novembro, como conta David Placer no livro. “Ambos nasceram nesse dia e o futuro presidente estava convencido de que não se tratava de uma coincidência, de uma simples casualidade, mas sim de um sinal do destino. O dia 23 de novembro era o dia de aniversário do guru que se havia proclamado o último deus com vida, o homem que criaria um dos maiores movimentos religiosos do século XX. E, com sorte, Maduro também tomaria as rédeas de um país inteiro que, com o passar dos anos, dominaria como uma seita.”

Mas, curiosamente, quando Maduro fez os 15 mil km até à India e conheceu o famoso guru, houve uma falha de eletricidade que deixou o espaço às escuras e sem ventoinhas ou qualquer corrente elétrica. Os macacos aproveitaram a escuridão para roubar toda a comida que puderam aos devotos que dormem em casas na aldeia. E aqui quem vê uma analogia com a Venezuela atual é o autor do livro.

Além de devoto de Sai Baba por influência da mulher, Nicolás Maduro é também adepto de outros tipos de misticismo. Segundo conta a agência EFE também citando partes do livro de David Placer, Maduro consulta frequentemente o bruxo Cirilo Enrique Rodulfo, que vive em Miami e que vai várias vezes a Caracas para ler o futuro do presidente venezuelano nas cartas. Mas Maduro já tinha deixado transparecer a sua veia mística — quando, em 2013, disse que o ex-presidente, Hugo Chávez, lhe tinha aparecido em forma de “pajarito”.