Londres, cuja péssima qualidade do ar é descrita pelo seu mayor Sadiq Khan como sendo “filthy toxic”, está a realizar um esforço considerável, acompanhado por investimentos importantes, para permitir aos seus habitantes respirar sem prejudicar a saúde. A estratégia está traçada e aponta para que, em 2030, não circulem meios de transporte poluentes, o que significa que, antes desta meta, será necessário fornecer as condições necessárias para que seja possível circular com veículos eléctricos, sejam eles alimentados por bateria ou a fuel cells.

Apostando de momento na rede, para fornecer energia a eléctricos a bateria – ainda não há oferta de veículos acessíveis a fuel cells, o que obrigaria a uma rede de distribuição eficaz de hidrogénio –, a cidade londrina comprometeu-se a criar 50.000 pontos de carga até 2025. Uma brutalidade, especialmente se compararmos com os 1.250 que existem em Portugal, segundo a Mobi.e, ou os 4.700 que é possível encontrar hoje na Península Ibérica, de acordo com a UVE.

Estima-se que, em 2019, existam em circulação 20.000 veículos eléctricos em Londres, número que deverá atingir os 300.000 em 2025. A Transport for London já se comprometeu a montar 300 postos de carga rápidos (PCR) em DC até final de 2020, sendo que no mesmo período lançará igualmente 3.500 postos de carga normais (PCN) em AC, entre baixa e média potência, ou seja, entre 7,4 kW e 22 kW.

Para evitar um investimento colossal com dinheiros públicos, Sadiq Khan conta com privados para suportar uma parte considerável da rede de abastecimento de que a cidade necessita. Mas de nada servem os veículos eléctricos, se Inglaterra continuar a apostar fortemente no carvão para produzir electricidade, o que hoje ainda acontece, sendo que o carvão é a forma mais poluente de gerar energia eléctrica. Sucede que, de acordo com informações veiculadas pela National Grid Electricity System Operator, os britânicos recorrerão exclusivamente a fontes renováveis para produzir energia, afirmação estranha para um país que está em vias de terminar uma imensa central nuclear na costa em frente à Irlanda, em Somerset, que atingirá break even dentro de 35 anos.