A TAP já confirmou a existência de “casos pontuais de tripulantes com ligeiras indisposições” em alguns voos, eventualmente associados a “alguns odores do equipamento de ar condicionado”, garantindo ser uma situação “normal em aeronaves novas”. A notícia fora avançada no início da manhã desta terça-feira pela TSF, dando conta de que a transportadora aérea estava a investigar o que se passava com os novos aviões.

A rádio avançava que tripulantes e passageiros dos novos Airbus A330neo, da TAP, relataram vários episódios de má disposição, enjoos e vómitos que estão a ser considerados fora do normal. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) adiantava à TSF que já recebera cerca de uma dezena de relatos de tripulantes que não se têm sentido bem quando voam nestes aviões, recentemente adquiridos pela companhia aérea. A Autoridade Nacional de Aviação Civil  (ANAC) também confirmava ter sido contactada por causa do mesmo problema, que pode estar, segundo fonte oficial, relacionado com uma renovação insuficiente do ar dentro dos aviões.

Contactada pelo sindicato, a TAP confirmou ter recebido queixas semelhantes e garantiu que estas estão a ser analisadas, “tal como os motores e as mediações”. Em resposta, a empresa convidou o sindicato de pessoal de voo e também o dos pilotos a viajarem até França para falarem com os engenheiros da Airbus. Mas, segundo Luciana Passo, os relatos continuaram depois disso. Na opinião da responsável, é de facto “estranho” o que se tem vindo a passar.

“É evidente que há tripulantes e passageiros que enjoam em determinadas fases de voo com turbulência mais moderada ou mais severa, mas os relatos que temos não têm a ver com isso e sim com o decurso normal de voos de longa duração e longo curso operados neste tipo de equipamento”, afirmou a presidente do SNPVAC à TSF.

De acordo com os esclarecimentos prestados pela TAP ao sindicato, talvez no final de julho haja conclusões dos estudos que estão a ser efetuados. “Até agora o que tinham conseguido apurar é que nada de extraordinário se passava e que os elementos recolhidos estavam dentro da normalidade e legalidade”, explicou ainda a responsável.

A meio da manhã a companhia esclareceu numa declaração escrita que “relativamente ao facto de, em algumas unidades novas do A330neo, poderem ter sido detetados alguns odores provenientes do equipamento de ar condicionado, é um facto considerado normal em aeronaves novas e que desaparece logo após as primeiras utilizações”, garantindo que “nunca colocaria os seus clientes e trabalhadores numa situação de risco para a sua saúde”.

Contudo, acrescenta, “os testes já realizados tanto pela TAP, como pela Airbus não permitem estabelecer qualquer correlação entre estes episódios e uma hipotética, mas não demonstrada, deficiência na circulação e renovação de ar”.

“O A330neo é um avião com todas as certificações por parte das autoridades nacionais e internacionais e totalmente apto para o serviço de transporte de passageiros em total segurança”, refere a companhia de bandeira portuguesa, salientando que “as cabinas da Airbus são projetadas e fabricadas de forma a prevenir qualquer tipo de contaminação do ar”.

Na declaração divulgada, a TAP diz ter comunicado à Airbus os “relatos de tripulantes relativos a odores e indisposições pontuais” e destaca que “imediatamente realizou uma reunião com áreas técnicas da TAP, o sindicato de pilotos e o sindicato dos tripulantes de cabina de forma a partilhar com total transparência os dados disponíveis”.

No entanto, diz, “todas as análises feitas pela Airbus com o apoio de laboratórios independentes indicam que os parâmetros de qualidade do ar estão dentro do normal na indústria”, sendo que, “nos vários testes realizados pela Airbus no chão e em voo, quanto a possíveis fontes de desconforto, como fluxo e distribuição de ar ou controlo de temperatura, os resultados obtidos foram de total conformidade”.

“A experiência e conforto relativamente à circulação do ar no A330neo é igual à da anterior geração A330”, garante a TAP.

Notícia atualizada às 11h40 com o comunicado da TAP.