José Manuel Bolieiro, presidente da Câmara de Ponta Delgada, é o novo vice-presidente do PSD depois de Manuel Castro Almeida ter apresentado a demissão. Em comunicado enviado às redações, o PSD fez saber que “Bolieiro passa assim a integrar a direção de Rui Rio como vice-presidente, juntando-se a Nuno Morais Sarmento, David Justino, Salvador Malheiro, Elina Fraga e Isabel Meirelles”.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, José Manuel Bolieiro é Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada desde 2012, presidente do conselho de administração da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel, membro da assembleia intermunicipal da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores e membro do conselho diretivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Foi também deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (1998-2009) e exerceu as funções de presidente do grupo parlamentar do PSD e de presidente da Comissão Permanente de Política Geral. Foi secretário–geral do Partido Social Democrata/Açores entre 1997 e 2005 e vice-presidente do PSD/Açores.

O novo nome da direção anunciado poucas horas depois de Manuel Castro Almeida ter-se demitido por descontentamento com o “centralismo” do PSD de Rui Rio. Em declarações ao Público, Castro Almeida explicou que apresentou a demissão “o passado dia 19 em conversa com Presidente e, no dia 20, a renúncia por escrito”. Na origem da discórdia deve estar a decisão de Rui Rio de deixar muitos dos grandes nomes do partido de fora das listas para as eleições legislativas, escolhendo sobretudo jovens.

O nome de José Manuel Bolieiro terá ainda de ser votado na próxima reunião do Conselho Nacional, que se deverá realizar até final de julho. De acordo com os estatutos do PSD, compete ao Conselho Nacional “eleger o substituto de qualquer dos titulares da Mesa do Congresso e da Comissão Política Nacional, com exceção do seu Presidente, no caso de vacatura do cargo ou de impedimento prolongado, sob proposta do respetivo órgão”.

No seu comentário semanal, na SIC, o ex-líder do PSD Luís Marques Mendes – próximo de Castro Almeida – disse não ter falado com o antigo autarca antes da sua demissão e não conhecer ainda “as verdadeiras razões” da saída, afirmando ter sabido da notícia pela comunicação social. Ainda assim, classificou a saída de Castro Almeida como “um ato de coragem” – dizendo ser precisa mais coragem para sair do que para ficar, quando se discorda – e considerou que devem ter sido “razões muito fortes”, apontando a relação “muito longa pessoal e política” que o antigo autarca tinha com Rui Rio.

No Facebook, durante a tarde, a presidente das Mulheres Sociais-Democratas, Lina Lopes, tinha classificado a demissão de Castro Almeida como “um frete ao arauto dominical das desgraças do PSD”. “Esta demissão é a salvação de última hora para o comentador que, de outra forma, não poderia deixar de se limitar a elogiar o rasgo e a coragem demonstradas por Rui Rio nas nomeações para cabeças de lista do PSD”, escreveu Lina Lopes, numa referência implícita a Marques Mendes, verbalizando uma crítica repetida à Lusa por outros dirigentes sociais-democratas que não quiseram ser identificados.

A notícia da demissão de Castro Almeida é conhecida no final de uma semana em que Rui Rio anunciou os primeiros dez cabeças de lista do PSD às legislativas – nomes inéditos para os círculos de Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Beja, Castelo Branco, Setúbal e Santarém – e revelou o cenário macroeconómico que enquadra o programa eleitoral do partido, que prevê uma redução de 3,7 mil milhões de euros na carga fiscal na próxima legislatura.

Em fevereiro, numa entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, Manuel Castro Almeida afirmava que, se os sociais-democratas não vencerem as próximas legislativas, será por “culpa própria” e por incompetência. “O cenário em que trabalho é o cenário em que o PSD vai vencer. Está ao nosso alcance. (…) Depende de nós. Se não o fizermos é porque somos incompetentes. Se o PSD não ganhar as eleições é por culpa própria, porque o Governo está a fazer o necessário para as perder. O Governo enganou-se no ciclo político (…) e está em ciclo descendente”, afirmou então.