Depois de a Bentley ter inaugurado o segmento dos SUV de luxo com o Bentayga, no que se revelou uma aposta certeira, a Lamborghini seguiu os mesmos passos da “colega” (ambas integram o Grupo Volkswagen) e lançou também o seu primeiro SUV que, para fazer justiça ao ADN do fabricante italiano, se apresentou como uma proposta de luxo, sim, mas com claro enfoque na performance – ou não fosse assentasse a reputação da casa de Sant’Agata Bolognese nos superdesportivos que produz.

O CEO da Lamborghini, Stefano Domenicali, foi claro desde o início quanto às ambições da marca para este novo produto, prevendo que duplicaria a produção. Desejo cumprido: antes do Urus, apenas com o Huracán e o Aventador, o fabrico anual da marca cifrava-se nas 4000 unidades, agora atingiu as 8000.

O fabricante italiano acredita que quantos mais Urus fizesse, mais venderia – uma previsão em linha com a de outros construtores, como a Ferrari, que depois de recusar liminarmente a ideia de produzir um SUV, se prepara também ela para lançar um FUV (o mesmo, só que troca o S de Sport pelo F de Ferrari).

No entanto, para a Lamborghini, o caminho a seguir não será continuar a tirar partido do sucesso do Urus. Aliás, foi traçada uma linha vermelha: de Sant’Agata Bolognese não irão sair mais que 10 mil unidades por ano, entre desportivos e SUV. Ponto. Entre outros motivos, para evitar que aconteça com o fabricante de desportivos o que aconteceu com a Porsche, também ela pertença do Grupo VW, que tem nos SUV Macan e Cayenne os modelos mais vendidos.

A barreira visa preservar um dos atributos associados à marca, a exclusividade. Mas não é apenas o interesse do cliente que justifica esta nova estratégia, na medida em que produzir mais não é, necessariamente, sinónimo de mais lucro. Já produzir menos assegura margens chorudas – e será essa a aposta da marca. Edições limitadas, pacotes de personalização extrema e modelos one-off são encarados como os melhores aliados para encher os cofres da Lamborghini, ao mesmo tempo que lhe reforçam a aura de exclusividade. O Huracán Sterrato parece encaixar-se nesta nova era da marca, virada não para a quantidade, mas sim para a qualidade do que é singular.