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Greve climática quer trazer sindicatos e autarquias para protesto global

A greve estudantil pelo clima quer ser global no próximo dia 27 de setembro e os organizadores em Portugal vão chamar sindicatos e autarquias para lutarem contra as alterações climáticas.

Aos trabalhadores dos setores poluentes, grevistas pretendem dizer que "têm de ser os primeiros envolvidos" e que "deverão ser a prioridade numa nova indústria que surja" para os substituir

ANTONIO PEDRO SANTOS/EPA

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  • Agência Lusa

A greve estudantil pelo clima quer ser global no próximo dia 27 de setembro e os organizadores em Portugal vão chamar sindicatos e autarquias para lutarem contra as alterações climáticas, reconhecendo que será difícil trazer alguns setores económicos.

Em conferência de imprensa, alguns dos organizadores da Greve Climática Global lançaram um apelo que se pretende que vá além dos estudantes, que começaram este ano a “dar um sinal inequívoco a todo o planeta de que o que está a ser feito não chega”, como afirmou o ativista João Camargo, da Climáximo.

Aos trabalhadores dos setores poluentes, pretendem dizer que “têm de ser os primeiros envolvidos” e que “deverão ser a prioridade numa nova indústria que surja” para os substituir, na transição da economia baseada na exploração de combustíveis fósseis para energias não poluentes.

“Não há dúvidas de que essa transição energética está em curso e tem de ser muito mais acelerada”, afirmou, acrescentando que “se os trabalhadores decidirem ser passivos neste processo, ficarão muito expostos ao que são, estritamente, decisões das empresas”, que “não terão nenhum pejo em, quando for decidido que um setor tem de terminar, encerrar e deixar os trabalhadores entregues a eles próprios.

A ativista Maria João Justino Alves, da associação Salvem o Surf, afirmou que todas as câmaras municipais e universidades do país foram contactadas para participar na greve global e que já houve respostas de várias, sem precisar.

O sindicalista José Oliveira, do Sindicato de Todos os Professores (STOP), afirmou que os professores têm “plena consciência da gravidade” da situação climática e que a sua profissão lhes permite “chegar a muitos alunos e famílias para as alertar”.

“Apelamos para que mais instituições, mais sindicatos e mais organizações da sociedade civil se juntem a nós. É um problema que afeta todos”, declarou.

João Camargo afirmou que “esta greve, em alguns casos, não é fácil de explicar” a trabalhadores de setores que dependem ou exploram os hidrocarbonetos para funcionar.

“Estamos a entrar em campos desconhecidos, tanto a nível do clima como das mobilizações sociais que lhe podem responder”, indicou, afirmando que os organizadores da greve já contactaram a CGTP-Intersindical, de quem receberam “abertura e apoio” para já, mas que a maneira como as maiores organizações laborais podem participar na greve “é um processo que tem que se ir trabalhando”.

João Camargo salientou que “o mundo é movido à força de trabalho” e que, sem o envolver, “resolver a crise climática com humanidade e justiça é uma fantasia”.

Diogo Silva, um dos organizadores, apelou ainda à comunidade artística portuguesa para participar nas ações da semana que antecederá a greve e “trazer a cultura para o clima” porque “a mobilização social também depende disso”.

Na semana que antecede o dia da greve climática global, haverá “ciclos de cinema climáticos” em vários pontos do país, entre outras iniciativas que irão sendo anunciadas, indicou.

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