A República do Turquemenistão tornou-se independente depois da dissolução da União Soviética em 1991, mas manteve alguns dos antigos hábitos do estado comunista, a começar pelos dois presidentes que geriram o país, desde então, a serem eleitos com percentagens bem acima dos 90%. Isto além de ser igualmente considerado pela Humans Rights Watch um dos países mais repressivos do mundo.

Gurbanguly Berdymukhamedov é Presidente desde 2007, cargo a que ascendeu após a morte do seu antecessor, mas em Julho desapareceu durante semanas e foi dado como morto pelos meios de informação suecos e russos. Para provar que as notícias da sua morte eram algo exageradas, Berdymukhamedov foi filmado pela televisão local a brincar aos ralis, conduzindo uma pick-up, devidamente equipado como se se tratasse de um piloto de competição. O mais curioso é que a zona em que registou as suas habilidades ao volante, para provar que não estava morto, é conhecida como “as portas do inferno”.

O que são as portas do inferno?

O Turquemenistão é um país com cinco vezes mais área mas apenas metade da população, quando comparado com Portugal. É igualmente um país muito mais pobre do que o nosso, apesar de ser riquíssimo em gás natural. É exactamente aqui que aparecem as portas do inferno, cuja denominação oficial é cratera de Darvaza, no deserto de Karakum.

Darvaza é um campo de gás natural cuja cobertura parcialmente ruiu durante as perfurações em 1971, criando um buraco com 69 metros de diâmetro e 30 m de profundidade, que foi transformado em atracção turística, apesar de ser considerado um dos maiores campos de gás natural do planeta.

Os geólogos soviéticos incendiaram o gás libertado na cratera, para evitar o envenenamento dos trabalhadores, calculando que arderia durante umas semanas. Porém, este buraco no chão, a 260 km da capital, está em chamas há quase 50 anos. A National Geographic produziu um documentário sobre este local único no mundo, que pode ver aqui.