O Nobel da Paz José Ramos-Horta disse esta terça-feira que Timor-Leste continua no topo dos casos de sucesso das Nações Unidas, com um ambiente de paz e tolerância, ainda que continue a haver grandes desafios em áreas como saúde, educação e agricultura.

“Num mundo conturbado, de tanta instabilidade e tanta insegurança, violência, intolerância, Timor continuar a ser um caso de sucesso para ONU”, afirmou o ex-Presidente da República e Nobel da Paz.

“O país está em paz, há zero violência política, total tolerância e inclusão em relação a religiões, etnias, nacionalidades que vivem aqui. Não há a mais pequena onda de violência como acontece em muitos países”, sublinhou.

Ramos-Horta falava à margem da cerimónia de abertura do novo Centro de Direitos Humanos da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), projeto financiado pela União Europeia e quando o país se prepara para as celebrações dos 20 anos do referendo em que Timor-Leste escolheu a independência.

As comemorações terão em Timor-Leste várias delegações internacionais, com o país a ser visitado por individualidades de todo o mundo que estiveram, no passado, ligados à questão de Timor-Leste.

Ramos-Horta disse que quem chega vê os progressos, inclusive na parte física, com mais estradas, eletricidade e comércio, ainda que admita que há setores que podem ser melhorados.

“Poderíamos ter feito melhor? Sim. Sem dúvida. A agricultura foi um falhanço, a segurança alimentar foi um falhanço. É inaceitável que tenhamos tão grande subnutrição infantil”, disse.

“O primeiro-ministro prometeu mais alocação orçamental em 2020 para saúde, educação e agricultura. Mas isso não basta e os responsáveis dessas partes têm que ser altamente pressionados, monitorados cada três meses para saber o que estão a fazer”, afirmou.

Igualmente preocupante, disse, é o facto do “dinheiro continuar a ser altamente tentador” pelo que Timor-Leste não foge à região em termos de corrupção”.

Sobre o momento político, Ramos-Horta rejeita que haja instabilidade política, afirmando que há um governo a funcionar e o orçamento a ser executado, considerando normais os diferendos entre órgãos de soberania.

“Há tensões, diferendos entre parlamento e Presidente, entre o Presidente e o governo. Mas cada um nas suas responsabilidades, como entende a interpretação da constituição. Não me preocupa rigorosamente nada”, disse.

“O governo terá que ser é mais ágil na execução do orçamento e executar com critérios rigorosos”, afirmou.