O sarampo ressurgiu na Europa e um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado esta quinta-feira mostra que, nos primeiros seis meses do ano, foi reportado o maior número de casos da doença desde 2006. Em Portugal, foram registados neste período dez casos e o nosso país faz parte do grupo de 35 nações europeias que têm o estatuto de eliminação da doença. Ainda assim, a responsável da Direção-Geral da Saúde deixa uma ressalva: “Não há risco zero, há risco mínimo”.

Graça Freitas destaca, em declarações aos jornalistas, que Portugal está em “contraciclo” face a todo o mundo e que “neste momento temos boas coberturas na infância e nos adultos” — o que, considera, “dá alguma segurança ao país”. A responsável pela DGS diz mesmo que a probabilidade de casos se propagarem em Portugal “é cada vez menor”, devido ao efeito positivo da vacinação.

Porque está, então, o sarampo a afetar cada vez mais pessoas na Europa e no mundo? Para Graça Freitas, a explicação é simples: deve-se a um desleixo por parte da população, uma vez que “foi dado como adquirido que a situação estava controlada”.

Costuma dizer-se que sempre que as doenças estão controladas, as vacinas são desprezadas. Quando os países atingem o controlo de certas doenças, para a população essas doenças desapareceram. Mas não é verdade: só estão temporariamente interrompidas”, explica Graça Freitas.

Este é um fenómeno que a diretora-geral da saúde descreve como “complacência” e que diz ser “perigosíssimo”: “Bastam dois ou três anos com menos vacinação para haver um reaparecimento da doença. Sem medidas contínuas, andamos para trás. Foi o que aconteceu na Europa”.

Graça Freitas destaca como “preocupantes” os casos do Reino Unido — onde o vírus reapareceu — e Ucrânia — que registou mais de 54 mil casos nos primeiros seis meses do ano — dada a proximidade da população portuguesa a estes países. A diretora-geral da saúde apela, assim, aos portugueses que se desloquem a qualquer país — seja do mundo ou dos “países amigos” da Europa — a verificar o boletim de vacinação.

“Se não tiverem a vacina em dia, vacinem-se”, aconselha Graça Freitas, sublinhando ainda a importância de a vacina ocorrer 15 dias antes da viagem, para ter tempo suficiente para atuar no corpo.