Marta Temido disse estar a ser posto em prática um plano a “três eixos” para fazer à falta de médicos em vários hospitais públicos do país. A ministra da Saúde admite mesmo contratar serviços a médicos de hospitais privados.

Não pomos de parte a hipótese de recorrer a colaboração com prestadores de entidades privadas porque aquilo que está em primeiro lugar é garantir que os serviços estão disponíveis. Estamos a trabalhar para isso”, disse a ministra da Saúde

Mas antes desta medida de “última instância”, outras duas estão a ser ponderadas num trabalho conjunto entre o Ministério da Saúde e todos os Conselhos de Administração dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

Como primeira opção deste plano a três eixos, a ministra pondera “por um lado, a utilização do despacho designado para o Verão Algarvio, que permite que alguns profissionais de outros hospitais se desloquem ao Algarve e dêem um apoio mais significativo nesta época de maior concentração de férias”. Marte Temido assume já existirem vários hospitais e profissionais a responderem de forma positiva aos pedidos e agradece-lhes “o empenho” que têm tido” com o Algarve, mas, sendo mais generalista, com os hospitais que “têm necessidade”.

Uma segunda medida será a contratação de mais médicos prestadores de serviços.

O objetivo é “resolver os problemas que vão surgindo”, garantiu a ministra esta manhã na cerimónia de assinatura do contrato para a construção da Ala Pediátrica do Hospital de São João, no Porto.

Recentemente houve ameaças de encerrar o serviço de urgência da Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, por falta de médicos obstetras. Mas o caso mais grave registado foi o do Centro Universitário e Hospitalar do Algarve, em que há dificuldades em preencher as escalas noturnas na Urgência de Neonatologia a partir de setembro por existir “um conjunto de médicos ausentes por doença e por situações associadas à assistência a familiares”, explica Marta Temido.

A situação de falta de médicos neonatologistas no Algarve — “uma das mais sensíveis que temos a enfrentar”, segundo a ministra da Saúde — vai ser discutida entre a primeira e a segunda semana de setembro, garante Temido, apesar acrescentar que essa “é uma gestão que, infelizmente, tem de ser feita semanalmente”.