A líder do Bloco de Esquerda está em direto na rádio Observador para uma entrevista no âmbito das eleições legislativas do próximo dia 6 de outubro. Catarina Martins começa por defender as propostas do seu partido, dizendo que “as enormes desigualdades estão a minar a democracia”. Assim, garante que o programa eleitoral que o BE preparou “é essencialmente social-democrata, no sentido em que corrige os excessos com controlo da economia e mecanismos de igualdade”. E tem dúvidas sobre as intenções de António Costa em caso de maioria absoluta.

Na parte mais política da entrevista e sobre as condições de governação futuras, Catarina Martins mostrou dúvidas sobre a promessa do líder do PS, António Costa, que tem dito que mesmo com maioria absoluta governará da mesma maneira, ou seja, procurará acordos com os partidos à esquerda. “A questão não é seu eu acredito, Alguém acredita?”, questionou. Para a líder do BE, “uma maioria absoluta do PS não parece que seja caminho para resolver os problema que o país tem. Não foi no passado, não temos razões para acreditar que será no futuro”, afirmou. Também garantiu que o seu partido se apresenta às eleições “com um programa que quer que seja Governo e está preparado para assumir todas as responsabilidades“.

Nacionalizar a banca “não é nenhum papão”. A entrevista completa a Catarina Martins

Também falou no crescimento do partido Pessoas-Animais-Natureza, chamando-lhe “partido temático” e desafiando a força representada atualmente no Parlamento pelo deputado André Silva a “definir-se sobre várias matérias”.

Catarina Martins fixa condições para o PS e diz que nacionalizar banca “não é papão”

Quanto a revisões Constitucionais que possam ser feitas caso o Parlamento tenha uma ampla maioria de esquerda (dois terços dos deputados), Catarina Martins considera que isso é difícil de acontecer já que não julga “que haja coerência entre o PS e os partidos de esquerda sobre a Constituição, o PS tem feito revisões com a direita”. Ainda assim, caso isso acontecesse, a líder bloquista deu exemplos sobre três dos temas que poderiam ser revistos na Lei Fundamental: referendar tratados internacionais: direitos dos imigrantes e o voto aos 16 anos.

[O melhor da entrevista de Catarina Martins à Rádio Observador]

Catarina Martins traçou ainda as principais condições para negociar com o próximo Governo: “Identificamos o investimento e o trabalho como as duas grandes questões para a legislatura. São duas grandes condições para o que o próximo governo vai fazer“. “As questões do direito laboral e do investimento são fundamentais para a próxima legislatura”, repetiu mais adiante na entrevista. A líder de um dos partidos que apoiou o Governo PS no Parlamento na legislatura que agora termina considera que “os salários no privado não vão recuperar sem alterações na legislação laboral”.

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Sobre a reforma laboral que foi feita nesta legislatura, mostra-se insatisfeita e sublinha que há medidas na troika que não foram revertidas, exemplificando com as horas extraordinárias: “Há mais abuso laboral com as horas extraordinárias. Sendo baratas compensa às empresas usarem-nas. Eram mais caras para promover a criação de emprego”, argumenta. Também fala na necessidade de alterar a compensação por despedimento, alterada na altura do programa de ajustamento com a entrada da troika no país.

Em matéria de banca, Catarina Martins foi confrontada coma defesa da nacionalização da banca, que o BE defende no seu programa eleitoral e explica que o que o seu partido propõe “não é nacionalização de toda a banca, ainda que ache que isso não é nenhum papão”. “O sistema financeiro deve ser público, sim, porque é essencial a toda a economia e quando estoira quem paga são os contribuintes”, defendeu na entrevista. A líder do Bloco diz que isso era o que deveria acontecer, nomeadamente, no Novo Banco.

“Os impostos têm de ser mais justos”

Já sobre as propostas que o Bloco de Esquerda avança no seu programa sobre impostos, a líder do BE foi questionada se elas não iriam aumentar a carga fiscal, mas negou-o. “Queremos uma carga fiscal mais justa. Se me pergunta se vai aumentar a receita de impostos do Estado, espero bem que sim para crescer a economia. Se vai aumentar os impostos de quem vive do seu trabalho e salário? Não. O esforço fiscal de quem trabalha não vai aumentar”, assegurou ao falar das medidas previstas pelo BE. Os “impostos têm de ser mais justos. Há quem ganhe muito e pague muito pouco, e quem ganhe pouco e esteja a pagar muito do seu esforço”, reforçou ainda.

Terminou a entrevista a falar na legalização do consumo de drogas duras, que estava entre as medidas do BE nos primeiros programas eleitorais mas que desapareceu no atual programa. Sobre este ponto concreto, a líder bloquista justifica que “o programa eleitoral do BE tem a ver com os passos que achamos adequados dar em cada momento”. A questão, diz, “tem de ter evolução no nosso país e nos outros países”. Mas mantém a defesa de um debate sobre o tema.

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