“Claro que fico um pouco louco… Sou melhor e não estou onde quero. Estabeleci as minhas prioridades. Quero ter sucesso e o grande objetivo é ser o primeiro guarda-redes do meu país mas não a qualquer preço. Futebol é uma coisa mas o fator humano é mais importante. Quero poder olhar ao espelho e dizer: ‘Trabalhaste e lidaste abertamente com as tuas ambições. Foste justo e não jogaste por fora’. Não é nada fácil ficar no banco mas a paciência, faz parte do trabalho de um futebolista. Há fases em que tens de esperar”, desabafou Ter Stegen após os últimos dois jogos da Alemanha. E assim começou a polémica.

Não é propriamente novo haver uma polémica aberta no conjunto germânico, onde existe muito o espírito de partilhar problemas antes que os mesmos possam ser discutidos em termos internos, mas as declarações de Ter Stegen, titular do Barcelona, criaram uma onda de reações a favor ou contra o guarda-redes, incluindo o número 1 e capitão do conjunto de Löw, Manuel Neuer. “Ouvi o que ele disse e não gostei porque não foi capaz de falar comigo diretamente. Somos uma equipa e acho que temos de fazer tudo para vencer. Isto não nos ajuda. Honestamente, acho que o único motivo é que estou a jogar bem”, atirou.

“O Manuel Neuer é melhor. Tem tudo o que é preciso, é um guarda-redes muito completo. Além disso, se eu perdesse 4-0 com o Liverpool nas meias-finais da Liga dos Campeões não podia fazer exigências… Também cheguei à seleção com 27 anos, por isso o Ter Stegen ainda tem muito tempo”, comentou também Jans Lehmann, antigo internacional alemão.

Numa semana, o número 1 dos catalães que não deixa de ser número 2 na seleção germânica tornou-se assunto principal e logo na antecâmara da deslocação do Barça a Dortmund para defrontar o Borussia. Estar mais no centro das atenções era complicado mas Ter Stegen provou que era possível, saindo como melhor em campo e elemento providencial para segurar o nulo no encontro onde chegou mesmo a travar uma grande penalidade cometida por Nelson Semedo e batida por Marco Reus.

Atrás do Muro, aquele famoso Muro de adeptos do B. Dortmund que impressiona qualquer um que veja ao vivo ou na TV, Ter Stegen foi uma autêntica parede num dia de pouca inspiração para os espanhóis, que tiveram como únicos dois pontos positivos (além do ponto conseguido no final) o regresso de Lionel Messi à competição na última meia hora de jogo e a aposta de novo em Ansu Fati, o jovem de 16 anos que se tornou o mais novo de sempre a jogar pelos blaugrana na Champions.

“Eles tiveram oportunidades claras nos momentos em que não estávamos tão organizados mas penso que jogámos bem. Com a qualidade que têm, era difícil que não tivessem. No final, sinto-me feliz por ter conseguido um ponto. Penálti? É difícil estudar porque o Marco está sempre a mudar mas tive a sensação que iria bater para ali e fiquei feliz por defender. Motivação especial por ser na Alemanha? As pessoas sabem do que sou capaz de fazer, só me fio em mim e quero estar sempre a 100% para jogar e demonstrar o que consegui hoje”, comentou no final do encontro Ter Stegen. Com uma exibição em grande, o guarda-redes calou tudo e todos. Ou quase todos. Porque nem por isso Neuer deverá perder a titularidade na seleção…