A entrada no relvado do estádio do Desp. Aves dificilmente poderia ter sido mais discreta, a olhar em volta, com passo certo até ao banco. Quando já se aproximava da zona técnica, uma saudação aos adeptos do Sporting que se encontravam nessa bancada, um abraço a Augusto Inácio entre sorrisos e a ocupação do lugar mais à esquerda até pelas limitações impostas por não estar como treinador principal dos leões. No final, mais aplausos e saudações. A exibição pode não ter sido a melhor mas Silas teve a estreia desejada e percebeu-se a química que vai criando com os verde e brancos – até pela ligação desportiva e afetiva que tem ao conjunto de Alvalade.

“Aproveitámos muita coisa boa que estava feita mas no futuro vamos jogar muito melhor. Tenho de dar os parabéns ao Desp. Aves, que se bateu muito bem. Os jogadores estão com muita fadiga, muitos jogos e têm jogado quase sempre os mesmos. Era muito importante ganharmos, era importante não sofrer golos e conseguimos ambos. A qualidade individual dos nossos jogadores acaba por vir ao de cima quando não sofremos golos e foi isso que desequilibrou a balança”, começou por referir o novo treinador leonino após o triunfo por 1-0, não esquecendo o trabalho feito pelos dois antecessores que teve em Alvalade, Marcel Keizer e Leonel Pontes.

“Fizemos à volta de 580 passes, tivemos uma precisão acima dos 80%, cerca de 87%. Isso quer dizer que não falhámos assim tanto mas perdemos muito mais a bola do que aquilo que quero. A fadiga acumulada que estes jogadores têm faz-se sentir. Tivemos mais passes, tivemos mais posse, de 60%, mas temos de ter mais ainda. Estou aqui há dois dias, há coisas que lhes digo mas ainda há uma resistência. Os jogadores são assim e eu era assim. Em alguns movimentos eu digo ‘Tens de estar aqui’ e o jogador não está… Uma coisa é o dizer ,outra coisa é o fazer. Digo-lhes, ouvem mas não aprendem, só com a prática. Vamos crescer nesse sentido”, acrescentou Silas sobre a estreia como técnico verde e branco, antes de falar também dos adeptos… e da parte emocional.

“Acho que os adeptos ansiavam por uma vitória e os jogadores também. Notei muito na reação deles, no fim do jogo, porque o que queremos é no próximo jogo, na quinta-feira, termos toda a gente a apoiar-nos. Precisamos de ganhar e com o apoio dos nossos adeptos fica mais fácil. Era importante ganharmos aqui para que depois sintam vontade de nos ir ver na quinta-feira e acho que vão comparecer. Estar no banco como sportinguista? A parte mais difícil é estar lá em baixo, lá em baixo vê-se o jogo de uma forma distinta do que se vê lá de cima, mas sou muito calmo. A parte emocional, enquanto treinador, não existe”, concluiu o novo técnico leonino.

No relvado, tudo acabou bem; fora dele, a realidade foi outra, antes e depois do encontro. À chegada à Vila das Aves, Frederico Varandas foi apupado por cerca de uma dezena de adeptos, que pediram a demissão do presidente do Sporting, tendo depois sido erguida na zona das claques a tarja “#Varandas out” antes de uma nova faixa, esta com cerca de cinco/seis adeptos, que dizia “Fivelas, o terrorista és tu”. Tudo isto numa altura em que foi notícia, durante o fim de semana, tarjas espalhadas pela A3 na zona de Guimarães e na CRIL com “Varandas out”.