Em apenas oito horas, cinco jovens mulheres desenharam a GMob, uma aplicação para promover comportamentos que reduzam a emissão de dióxido de carbono (CO2). O projeto foi o vencedor da primeira maratona de programação (hackathon) promovido pela comunidade Portuguese Women in Tech, no sábado passado, na Alfândega do Porto. O objetivo do evento era o de associar a tecnologia a comportamentos sustentáveis.

A equipa de cinco mulheres propôs-se a desenhar uma solução para combater as emissões de CO2 oriundas dos transportes e da alimentação, tendo como público alvo os jovens adultos. Rita Silvério, uma das vencedoras concretiza: “a solução foi criar uma app que incentivasse e motivasse as pessoas a tomar decisões mais sustentáveis, com um lado de competição e outro de recompensa”.

Quatro dos cinco elementos do grupo vencedor do primeiro hackaton exclusivamente feminino da Portuguese Women in Tech.

Quatro dos cinco elementos do grupo vencedor do primeiro hackathon exclusivamente feminino da Portuguese Women in Tech.

Como é que a ideia se propõe a incentivar utilizadores? Com QR codes espalhados pelas redes de metro, autocarros, bicicletas, trotinetes e ainda restaurantes parceiros. É assim que o utilizador ganha pontos e compete numa “liga de amigos” e numa “liga” da sua cidade.

Trocado por miúdos, quem ande a pé ou de transportes públicos ganha mais pontos do que quem opte por um carro individual. Quanto à alimentação, a equipa propõe acordos com restaurantes para que estes ofereçam menus sustentáveis – “vegetariano, vegano ou, por exemplo, no caso das churrasqueiras, escolher frango”, exemplifica Rita Silvério – e, mais uma vez, quem opte por eles é beneficiado no sistema de pontos. Como recompensa, “os pontos acumulados são passíveis de serem convertidos em donativos para associações, mas também em descontos em produtos específicos sustentáveis, de supermercados, por exemplo”, explica a porta-voz do grupo.

Os acordos com certos restaurantes ecofriendly (amigos do ambiente) levam a comissões facilitadoras do financiamento do projeto, assim como, no futuro, a publicidade vinda de agentes empresariais, como empresas de trotinetes elétricas.

O primeiro hackathon com equipas exclusivamente femininas contou com cerca de 70 participantes profissionais e jovens estudantes que, durante um dia, tentaram encontrar soluções tecnológicas e inovadoras para desafiar as alterações climáticas nas áreas da mobilidade, economia circular, gestão de desperdícios, sistemas alimentares e temperaturas extremas.

“Sabíamos quais eram os problemas que nos iam ser colocados e fomos toda a viagem de comboio, de Lisboa ao Porto, a fazer um brainstorming daquilo que poderia ser a nossa ideia”, conta Rita Silvério ao Observador.

A “porta-voz” do grupo estuda, como outros três elementos, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. As áreas de formação recaem nas engenharias – biomédica, civil e eletrotécnica. Rita Silvério, Sara Paisana e Sara Fernandes têm 21 anos e Matilde Pitôrra tem 19. Francisca Pinto, a estudar no 12º ano no agrupamento de escolas Garcia da Orta, no Porto, era a única que não conhecia os restantes elementos, todos parte da JUNITEC – Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico.

A equipa ainda não pensou como poderá aplicar o prémio de 1.500 euros, mas admite que este poder ser “um projeto que entra na JUNITEC e que é desenvolvido lá como projeto de inovação”. Na mira, está a criação de uma startup que tem por base uma ideia criada em oito horas.