A vitória do Sporting na Vila das Aves, naquele que foi o primeiro jogo com Silas no comando técnico, acabou por funcionar como balão de oxigénio para o plantel leonino que não ganhava há cinco encontros consecutivos (e que levava três desaires seguidos entre Liga Europa, Campeonato e Taça da Liga) mas nem por isso esvaziou por inteiro o período de maior contestação à liderança de Frederico Varandas, eleito há pouco mais de um ano. Por isso, e ao contrário do que costuma ser habitual, a Assembleia Geral da Sporting SAD, que se realiza esta noite (20h) deverá contar com uma maior presença de acionistas. E por razões que pouco ou nada têm a ver com os quatro grandes pontos que estarão em discussão no auditório Artur Agostinho, em Alvalade.

Um deles, relativo aos aumentos salariais dos administradores da sociedade, acabou por ficar “esvaziado” com a entrevista de Francisco Salgado Zenha ao programa “Nem tudo o que vem à rede é bola”, da Rádio Observador: a proposta de aumento salarial dos administradores da SAD verde e branca, feita pela Comissão de Acionistas, vai ser aprovada pelo clube mas chumbada pelos próprios administradores.

“O Conselho de Administração da SAD vai abdicar desse aumento. Não vai receber nem mais um cêntimo do que aquilo que recebeu no ano passado exatamente porque não está aqui por dinheiro. Agora, há uma coisa que é certa: nós vamos ser coerentes com a nossa política. Têm que existir ajustamentos nos bastidores, nos administrativos, nos quadros, nos colaboradores e no Conselho de Administração. Estamos de acordo com a Comissão de Acionistas. Nós, clube, acionista, estamos de acordo com a Comissão de Acionistas. No entanto, deixamos claro que vamos abdicar porque não é o momento e não queremos passar a mensagem de que estamos aqui por dinheiro, porque não estamos”, salientou Salgado Zenha em entrevista.

Além desta questão, haverá a votação do Relatório e Contas do exercício 2018/19, onde os leões voltaram a ter prejuízo neste caso de cerca de 7,9 milhões de euros – montante que será transferido para os Resultados Transitados –, e o ponto 3 da Ordem de Trabalhos onde o Sporting Clube de Portugal, que tem a maioria da SAD, “propõe à Assembleia Geral da Sociedade que seja aprovado um voto de confiança à administração da sociedade e a cada um dos seus membros, ao Conselho Fiscal e à Sociedade de Revisores de Oficiais de Contas”.

Por fim, e no âmbito do “regime de representação equilibrada entre homens e mulheres”, serão ainda votados os nomes de Maria José Engrola Serrano Biléu Sancho e Sara Alves Martins de Araújo Sequeira para vogais do Conselho de Administração da Sporting SAD até 2022, juntando-se assim a Frederico Varandas (presidente), Francisco Salgado Zenha, João Sampaio, Miguel Cal e Nuno Correia da Silva; e de Catarina Machado Alves Soares Cunha (efetivo) e Luís Alberto Vilalonga Pinto Durão (suplente) para vogais do Conselho Fiscal, que se juntam a Fernando Ferreira Pinto (presidente) e Gonçalo de Castro de Sousa Uva.

Ainda assim, tudo aponta para que alguns acionistas aproveitem a reunião magna para colocar outro tipo de questões sobretudo relacionadas com a política desportiva do futebol profissional, como já foi anunciado por alguns nomes como Pedro Baltazar, antigo candidato à presidência do Sporting. Uma coisa é certa: com mais ou menos contestação aos atuais responsáveis, qualquer dos pontos a sufrágio, à exceção da questão do aumento salarial dos administradores da SAD supracitada, será sempre aprovado.