A taxa de participação às 16h00 continua mais baixa do que a registada à mesma hora nas últimas eleições legislativas de 2015, E se até ao meio, até tinham votado mais pessoas nestas eleições, o cenário mudou com os dados divulgados pelo Ministério da Administração Interna sobre a taxa de afluência até meio da tarde.

A participação estava nos 38,59%, quase seis pontos percentuais abaixo da verificada nas legislativas de 2015. Feitas as contas, e mesmo considerando que há mais inscritos nos cadernos eleitorais, tinham votado menos 125 mil pessoas até às 16h00. As sondagens avançadas pelas cadeias de televisão à hora de fecho das urnas no Continente, 19h00, apontam para um intervalo de abstenção entre os 43,4%, e os 51,5%. A confirmar-se o valor mais alto, a taxa de abstenção atingirá um valor recorde. Em 2015, a abstenção ficou nos 44,1%, de acordo com dados da Pordata.

Já ao meio-dia, quando o Ministério da Administração Interna deu os primeiros valores a taxa de participação também estava mais baixa quando comparada com a de 2015, mas o número de eleitores até àquela hora era maior em relação às últimas legislativas.

Como é possível um paradoxo destes? Os números explicam.

Em 2015, até às 12h00 tinha votado 20,65% dos eleitores. E hoje a percentagem de eleitores que já tinham votado a essa hora é de facto mais baixa: 18,83%.

Porém, isso não quer dizer que haja menos gente a votar. Como é isso possível? Simples: este ano, o número de eleitores recenseados excede o 1 milhão em relação a 2015.

Em 2015, havia 9.682.553 eleitores recenseados — querendo isso dizer que os 20,65% que votaram até às 12h00 daquelas eleições eram um total de 1.999.447 cidadãos.

Em 2019, há 10.810.662 eleitores recenseados. Ora, sabendo que 18,83% já tinham votado até ao meio-dia, pode então ser calculado que a essa hora já tinham ido às urnas 2.035.647 eleitores.

O aumento significativo do número de recenseados — o maior da democracia portuguesa — deve-se sobretudo ao recenseamento automático dos cidadãos portugueses que vivem fora do país.

Desta forma, uma percentagem menor na participação eleitoral (uma queda de 1,83 pontos percentuais) não impede que até ao meio-dia deste domingo o número de eleitores tenha subido em 36.200 pessoas — um número comparável à população de cidades como Beja, Bragança ou Angra do Heroísmo.