Em 2020 vai-se estrear uma nova disciplina do desporto automóvel. Com carros de turismo, ou seja, modelos similares aos utilizados no dia-a-dia pela generalidade dos portugueses, mas devidamente preparados para competição, esta nova modalidade, denominada ETCR, apresenta como característica complementar – muitos dirão principal – o facto de recorrer a motores eléctricos alimentados por bateria.

O primeiro carro criado para competir neste campeonato mundial de eléctricos de turismos é o Cupra e-Racer, modelo que recorre a uma evolução do chassi do Leon que competia no TCR Series, com motores a gasolina, inicialmente com 300 cv. Porém, o motor de combustão e a caixa de velocidades sequencial desapareceram, surgindo no seu lugar quatro motores eléctricos que totalizam 680 cv, todos eles montados no eixo traseiro.

Com um peso de 400 kg, esta bateria tem uma capacidade de 65 kWh, o que permite encarar com relativo à vontade as diferentes sessões de treinos e, depois de recarregada, a corrida. O modelo é capaz de atingir os 100 km/h em 3,2 segundos, para depois atingir 269 km/h de velocidade máxima.

O piloto oficial do Cupra e-Racer é Mattias Ekström, piloto que já provou a sua valia no DTM, onde alcançou o título em duas ocasiões. Só que, até aqui, Ekström sempre conduziu viaturas com motor de combustão, daí que tenha encarado a primeira oportunidade para conduzir o carro eléctrico de turismo com alguma curiosidade.

A primeira novidade foi a ausência de ruído, o que para ele é um problema. Caracterizando-se como um piloto “emocional”, Ekström sempre necessitou do ruído do motor para regular a pressão que exerce no acelerador e a velocidade com que ataca as curvas. Difícil numa mecânica (ou melhor em quatro) que não emite nem sequer um pio.

Depois desta estranha característica, a que Mattias confessa que vai custar-lhe a habituar-se, o e-Racer foi só vantagens. A potência é imensa e o binário está disponível a qualquer rotação, pelo que a entrega de potência é imediata. Depois, o peso é mais elevado, mas acaba por não limitar o desempenho, uma vez que está colocado tão em baixo que acaba por tornar-se uma vantagem.

Resta agora aguardar pelas restantes sessões de treinos e, sobretudo, pela primeira corrida da próxima época, onde vai ser possível conhecer todos os modelos que serão candidatos à vitória. De momento, como adversário, o Cupra apenas tem pela frente o Hyundai. Mas muitos outros irão aparecer em breve.